ACEITA A CORREÇÃO
“E, na verdade, toda correção, no presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela”.- Paulo. (HEBREUS, 12:11).
A terra, sob a pressão do arado, rasga-se e dilacera-se, no entanto, a breve tempo, de suas leiras retificadas brotam flores e frutos deliciosos.
A árvore, em regime de poda, perde vastas reservas de seiva, desnutrindo-se e afeando-se, todavia, em semanas rápidas, cobre-se de nova robustez, habilitando-se à beleza e à fartura.
A água humilde abandona o aconchego da fonte, sofre os impositivos do movimento, alcança o grande rio e, depois, partilha a grandeza do mar.
Qual ocorre na esfera simples da Natureza, acontece no reino complexo da alma.
A corrigenda é sempre rude, desagradável, amargurosa; mas, naqueles que lhe aceitam a luz, resulta sempre em frutos abençoados de experiência, conhecimento, compreensão e justiça.
A terra, a árvore e a água suportam-na, através de constrangimento, mas o Homem, campeão da inteligência no Planeta, é livre para recebê-la e ambientá-la no próprio coração.
O problema da felicidade pessoal, por isso mesmo, nunca será resolvido pela fuga ao processo reparador.
Exterioriza-se a correção celeste em todos os ângulos da Terra. Raros, contudo, lhe aceitam a bênção, porque semelhante dádiva, na maior parte das vezes, não chega envolvida em arminho, e, quando levada aos lábios, não se assemelha a saboroso confeito.
Surge, revestida de acúleos ou misturada de fel, à guisa de remédio curativo e salutar. Não percas, portanto, a tua preciosa oportunidade de aperfeiçoamento.
A dor e o obstáculo, o trabalho e a luta são recursos de sublimação que nos compete aproveitar.
16 de nov. de 2009
Aceita a correção
Mensagem muito inspiradora a do Espírito Emmanuel, psicografada pelo grandiosamente iluminado Chico Xavier, do livro Fonte Viva, retirado da seção de mensagens diárias da Federação Espírita Brasileira:
2 de nov. de 2009
Homenagem ao Dia de Finados: a morte não existe
Já falamos, há alguns posts atrás, das dificuldades em aceitar o Espiritismo. Uma delas decorre da grande quantidade de responsabilidades que a Doutrina Espírita nos atribui, em vida, e após ela.
Hoje falaremos, no entanto, até por conta do feriado de Finados, de uma das boas novas que o Espiritismo nos traz: a morte não existe!
Ou melhor, não existe naquele sentido tradicional, da morte como significando o fim de absolutamente tudo aquilo que entendemos por vida. O Espiritismo nos ensina que a morte até existe, mas apenas e tão-somente para o corpo, jamais para a alma.
A alma, independente do corpo, já existia muito antes dele e continuará existindo eternamente, logo, sobrevive perfeitamente à morte corpórea: essa uma das maiores (e melhores) novidades trazidas pela Doutrina. Veja no Livro dos Espíritos, por exemplo, alguns dos momentos em que se fala a respeito:
Em última análise, toda ou quase toda religião ou crença espiritual defende a sobrevivência da alma (ainda que com outro nome) ao corpo. É elemento comum a todas as chamadas doutrinas espiritualistas. Veja no Livro dos Espíritos, página 2:
O Espiritismo tem uma visão bastante peculiar sobre a vida espiritual e a morte corpórea. Não fala em céu, inferno ou purgatório, nem em vida única, mas sim num contínuo aprendizado e evolução do espírito, vida após vida.
Fala também que nem sempre a morte é um momento doloroso: se a consciência está limpa (predomina a sensação de dever cumprido), há algum conhecimento da sobrevivência da alma ao corpo (noções espirituais sempre ajudam), e não se abandona a fé em Deus e na cooperação dos amigos espirituais, a passagem pode ser até um alívio para aquele que se desprende dos grosseiros laços carnais. É o fim natural de uma etapa de aprendizado e trabalho.
Pois é, para aqueles que acreditam nos ensinamentos da Doutrina Espírita, trazidos pelos nossos amigos e irmãos do lado de lá, não deveria haver o que se lamentar nesse Dia de Finados!
Claro que muitas vezes ocorrem perdas dolorosas, recentes, que ainda amarguram o coração. Devemos, no entanto, dentro do possível, ir deixando a dor de lado, tendo fé na sabedoria e proteção divina. Ele nunca nos abandona, nem nos dá fardos maiores do que poderíamos suportar.
No mais, nossos entes queridos nunca verdadeiramente se vão. Talvez não estejam mais aqui conosco materialmente, mas, havendo amor sincero, estarão sempre ligados a nós pelos laços do afeto. Os vínculos espirituais são muito, mas muito mais fortes e duradouros que os breves laços carnais.
Por isso, nossa sugestão, nesse Dia de Finados, é que se evite toda sorte de pensamentos negativos ou sentimentos dolorosos, pois isto, segundo nos dizem mesmo nossos irmãos do lado de lá da vida, não ajuda em nada os nossos queridos que se foram, e pode até prejudicá-los, colocando-os também em sofrimento.
Não, sugeriríamos sim tirar o foco da perda da partida, e ter sempre em mente os ganhos que tivemos com os momentos em que vivemos ao lado dos que partiram. Lembre-se sim das coisas boas vividas juntas, da alegria dos momentos felizes, das lições aprendidas nos momentos tristes, de tudo o de positivo que resultou do que passaram juntos, ainda que tenha sido breve.
Muitas vezes essas pessoas queridas continuam do nosso lado, nem que seja apenas de vez em quando, e, mesmo quando não podem estar conosco, com certeza continuam a nos rogar melhoras e a solicitar o envio de ajuda para nós, quando precisamos, por meio da oração ou do pedido de intervenção dos espíritos superiores em nosso favor.
E devemos fazer o mesmo por eles! Pedir a Deus que os abençoe, que ilumine seus caminhos, que reconheça o grande bem que nos proporcionaram quando vivos (ou que perdoe as faltas que nos cometeram), e que permita a eles continuarem em suas jornadas de evolução espiritual, mesmo que não mais ao nosso lado, se assim for melhor.
E tenha sempre fé no reencontro: chegada a hora, nos veremos novamente rodeados de todos os nossos entes queridos que nos precederam na volta ao mundo espiritual! Não apresse nunca esse reencontro, isso aliás poderia até impossibilitar ou retardar muito esse momento; siga vivendo sua vida em paz e construtivamente, aproveitando as oportunidades divinas de crescimento e aprendizado, pois, quando chegada a hora, o reencontro chegará.
Essas nossas sugestões para o Dia de Finados! Lembre dos que se foram com carinho e alegria pelos momentos felizes que nos trouxeram, ore por eles e mantenha sua fé em Deus inabalada, pois, afinal, a morte é uma ilusão! A separação é temporária, parcial, e deve não ser motivo de tristeza, mas, como sempre, de aprendizado e crescimento.
Que Deus abençoe e ilumine todos, neste dia e sempre!
Hoje falaremos, no entanto, até por conta do feriado de Finados, de uma das boas novas que o Espiritismo nos traz: a morte não existe!
Ou melhor, não existe naquele sentido tradicional, da morte como significando o fim de absolutamente tudo aquilo que entendemos por vida. O Espiritismo nos ensina que a morte até existe, mas apenas e tão-somente para o corpo, jamais para a alma.
A alma, independente do corpo, já existia muito antes dele e continuará existindo eternamente, logo, sobrevive perfeitamente à morte corpórea: essa uma das maiores (e melhores) novidades trazidas pela Doutrina. Veja no Livro dos Espíritos, por exemplo, alguns dos momentos em que se fala a respeito:
68 Qual é a causa da morte entre os seres orgânicos?
– O esgotamento dos órgãos.
68 a Podemos comparar a morte com o cessar do movimento numa máquina desarranjada?
– Sim; se a máquina está mal montada, o movimento cessa; se o corpo está doente, a vida se extingue.
149 Em que se torna a alma logo após a morte?
– Volta a ser Espírito, ou seja, retorna ao mundo dos Espíritos, que havia deixado temporariamente.
150 A alma, após a morte, conserva sua individualidade?
– Sim, nunca a perde. O que seria ela se não a conservasse?
153 Em que sentido se deve entender a vida eterna?
– É a vida do Espírito que é eterna; porém, a do corpo é transitória e passageira. Quando o corpo morre, a alma retorna à vida eterna.
Em última análise, toda ou quase toda religião ou crença espiritual defende a sobrevivência da alma (ainda que com outro nome) ao corpo. É elemento comum a todas as chamadas doutrinas espiritualistas. Veja no Livro dos Espíritos, página 2:
E por fim, segundo outros, a alma é um ser moral, distinto e independente da matéria, que conserva sua individualidade após a morte. Essa concepção é, indiscutivelmente, a mais generalizada, visto que, sob um nome ou outro, a idéia desse ser que sobrevive ao corpo se encontra como crença instintiva e independentemente de qualquer ensinamento, entre todos os povos, seja qual for o grau de sua civilização. Essa doutrina, segundo a qual a alma é a causa e não o efeito, é a dos espiritualistas.
O Espiritismo tem uma visão bastante peculiar sobre a vida espiritual e a morte corpórea. Não fala em céu, inferno ou purgatório, nem em vida única, mas sim num contínuo aprendizado e evolução do espírito, vida após vida.
Fala também que nem sempre a morte é um momento doloroso: se a consciência está limpa (predomina a sensação de dever cumprido), há algum conhecimento da sobrevivência da alma ao corpo (noções espirituais sempre ajudam), e não se abandona a fé em Deus e na cooperação dos amigos espirituais, a passagem pode ser até um alívio para aquele que se desprende dos grosseiros laços carnais. É o fim natural de uma etapa de aprendizado e trabalho.
159 Que sensação experimenta a alma no momento em que reconhece estar no mundo dos Espíritos?
– Isso depende. Se fizestes o mal com o desejo de fazê-lo, vos envergonhareis de tê-lo feito, num primeiro momento. Para o justo, é bem diferente: é como o alívio de um grande peso, porque não teme nenhum olhar indagador.
160 O Espírito encontra imediatamente aqueles que conheceu na Terra e que desencarnaram antes dele?
– Sim, de acordo com a afeição que havia entre eles, muitas vezes vêm recebê-lo na volta ao mundo dos Espíritos e o ajudam a se desprender das faixas da matéria. Assim como reencontra também muitos que havia perdido de vista durante sua permanência na Terra. Vê os que estão na erraticidade, como também vai visitar os que estão encarnados.
163 A alma, ao deixar o corpo, tem imediatamente consciência de si mesma?
– Consciência imediata não. Ela passa algum tempo como num estado de perturbação.
164 Todos os Espíritos experimentam, no mesmo grau e com a mesma duração, a perturbação que se segue à separação da alma e do corpo?
– Não, isso depende de sua elevação. Aquele que já está depurado reconhece a sua nova situação quase imediatamente, porque já se libertou da matéria durante a vida do corpo, enquanto o homem carnal, aquele cuja consciência não é pura, conserva durante muito mais tempo as sensações da matéria.
165 O conhecimento do Espiritismo tem alguma influência sobre a duração, mais ou menos longa, dessa perturbação?
– Uma influência muito grande, uma vez que o Espírito já compreendia antecipadamente sua situação. Mas a prática do bem e a consciência pura exercem maior influência.
Pois é, para aqueles que acreditam nos ensinamentos da Doutrina Espírita, trazidos pelos nossos amigos e irmãos do lado de lá, não deveria haver o que se lamentar nesse Dia de Finados!
Claro que muitas vezes ocorrem perdas dolorosas, recentes, que ainda amarguram o coração. Devemos, no entanto, dentro do possível, ir deixando a dor de lado, tendo fé na sabedoria e proteção divina. Ele nunca nos abandona, nem nos dá fardos maiores do que poderíamos suportar.
No mais, nossos entes queridos nunca verdadeiramente se vão. Talvez não estejam mais aqui conosco materialmente, mas, havendo amor sincero, estarão sempre ligados a nós pelos laços do afeto. Os vínculos espirituais são muito, mas muito mais fortes e duradouros que os breves laços carnais.
Por isso, nossa sugestão, nesse Dia de Finados, é que se evite toda sorte de pensamentos negativos ou sentimentos dolorosos, pois isto, segundo nos dizem mesmo nossos irmãos do lado de lá da vida, não ajuda em nada os nossos queridos que se foram, e pode até prejudicá-los, colocando-os também em sofrimento.
Não, sugeriríamos sim tirar o foco da perda da partida, e ter sempre em mente os ganhos que tivemos com os momentos em que vivemos ao lado dos que partiram. Lembre-se sim das coisas boas vividas juntas, da alegria dos momentos felizes, das lições aprendidas nos momentos tristes, de tudo o de positivo que resultou do que passaram juntos, ainda que tenha sido breve.
Muitas vezes essas pessoas queridas continuam do nosso lado, nem que seja apenas de vez em quando, e, mesmo quando não podem estar conosco, com certeza continuam a nos rogar melhoras e a solicitar o envio de ajuda para nós, quando precisamos, por meio da oração ou do pedido de intervenção dos espíritos superiores em nosso favor.
E devemos fazer o mesmo por eles! Pedir a Deus que os abençoe, que ilumine seus caminhos, que reconheça o grande bem que nos proporcionaram quando vivos (ou que perdoe as faltas que nos cometeram), e que permita a eles continuarem em suas jornadas de evolução espiritual, mesmo que não mais ao nosso lado, se assim for melhor.
E tenha sempre fé no reencontro: chegada a hora, nos veremos novamente rodeados de todos os nossos entes queridos que nos precederam na volta ao mundo espiritual! Não apresse nunca esse reencontro, isso aliás poderia até impossibilitar ou retardar muito esse momento; siga vivendo sua vida em paz e construtivamente, aproveitando as oportunidades divinas de crescimento e aprendizado, pois, quando chegada a hora, o reencontro chegará.
Essas nossas sugestões para o Dia de Finados! Lembre dos que se foram com carinho e alegria pelos momentos felizes que nos trouxeram, ore por eles e mantenha sua fé em Deus inabalada, pois, afinal, a morte é uma ilusão! A separação é temporária, parcial, e deve não ser motivo de tristeza, mas, como sempre, de aprendizado e crescimento.
Que Deus abençoe e ilumine todos, neste dia e sempre!
31 de out. de 2009
Mensagens espíritas diárias
Recomendamos como material de leitura as mensagens espíritas diárias da Federação Espírita Brasileira, que ajudam a divulgar o lindo trabalho de Chico Xavier, reproduzindo assim, pouco a pouco, pequenos trechos as obras publicadas pela FEB!
A mensagem deles de sexta-feira, do livro Fonte Viva, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, é muito bela:
A mensagem deles de sexta-feira, do livro Fonte Viva, ditado por Emmanuel a Chico Xavier, é muito bela:
MODO DE FAZER
"De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus" - Paulo. FILIPENSES 2:5
Todos fazem alguma coisa na vida humana, mas raros não voltam à carne para desfazer quanto fizeram.
Ainda mesmo a criatura ociosa, que passou o tempo entre a inutilidade e a preguiça, é constrangida a tornar à luta, a fim de desintegrar a rede de inércia que teceu ao redor de si mesma.
Somente constrói, sem necessidade de reparação ou corrigenda, aquele que se inspira no padrão de Jesus para criar o bem.
Fazer algo em Cristo é fazer sempre o melhor para todos:
Sem expectativa de remuneração.
Sem exigências.
Sem mostrar-se.
Sem exibir superioridade.
Sem tributos de reconhecimento.
Sem perturbações.
Em todos os passos do Divino Mestre, vemo-lo na ação incessante, em favor do indivíduo e da coletividade, sem prender-se.
Da carpintaria de Nazaré à cruz de Jerusalém, passa fazendo o bem, sem outra paga além da alegria de estar executando a Vontade do Pai.
Exalta o vintém da viúva e louva a fortuna de Zaqueu, com a mesma serenidade.
Conversa amorosamente com algumas criancinhas e multiplica o pão para milhares de pessoas, sem alterar-se.
Reergue Lázaro do sepulcro e caminha para o cárcere, com a atenção centralizada nos Desígnios Celestes.
Não te esqueças de agir para a felicidade comum, na linha infinita dos teus dias e das tuas horas. Todavia, para que a ilusão te não imponha o fel do desencanto ou da soledade, ajuda a todos, indistintamente, conservando, acima de tudo, a glória de ser útil, "de modo que haja em nós o mesmo sentimento que vive em Jesus Cristo".
23 de out. de 2009
Quem culpar pelas nossas dores?
Em nosso post anterior falamos sobre as dificuldades em aceitar o Espiritismo. Exploraremos hoje uma delas, a notícia não lá muito boa que ele nos traz: somos talvez não os únicos, mas os grandes responsáveis pelos nossos sofrimentos.
Claro que, ao longo da vida, nos são causados alguns males injustos. Ocorre que, muitas vezes, as dores e provações pelas quais passamos já estavam programadas para a nossa existência, desde antes de nascermos. Veja no Livro dos Espíritos:
Por meio do presente divino do livre-arbítrio, podemos escolher, ainda antes de virmos à vida carnal, os desafios pelos quais passaremos. Mas e quanto às dificuldades inesperadas?
Bem, difícil crer que algo ocorra sem a permissão divina. Ele, que tudo criou e generosamente nos deu, tem, é claro, poder muito além da nossa compreensão. Pequenos acontecimentos, ocasiões, e até o que chamamos coincidências: nada se passa sem o conhecimento (e consentimento) divino.
No nosso atual estado, de humanos e encarnados, talvez seja mesmo absolutamente impossível querer compreender Deus, em toda sua grandeza. Seria uma proeza além da nossa capacidade, algo parecido com uma bactéria querendo entender a natureza do ser que ela habita: ora, isto está além das suas faculdades de compreensão.
Admitindo nossa inferioridade ante a Deus, e nossa mais absoluta incapacidade de compreendê-lo em sua inteireza, parece mais sensato simplesmente ter fé, confiar na sua bondade imensa, caridade inesgotável e amor incondicional por todos nós, seus filhos.
E, assim sendo, temos que confiar que nada nos acontece que não seja de seu conhecimento e vontade. E claro que Deus, infinitamente bom que é, jamais nos quereria o mal. Como compreender, então, que tantas coisas ruins possam acontecer?
A resposta talvez esteja num lado freqüentemente ignorado do sofrimento: ele pode ser reparador. É um dos meios mais eficazes para nos fazer crescer espiritual e moralmente, nos permitindo superar fraquezas, velhos hábitos e tendências... Ou ainda expiar nossas faltas passadas, reparar erros com pessoas a quem prejudicamos nesta ou em outras vidas.
Mas Deus não impõe a expiação, Ele não tem pressa: tudo a seu tempo. Muitas vezes, senão na maioria das vezes mesmo, somos nós quem escolhemos as grandes provações, desafios e expiações pelas quais passaremos em cada existência.
Conduzimos o processo de escolha dos nossos desafios terrenos sim, mas não sozinhos: contamos sempre com o precioso auxílio dos espíritos superiores, que nos ajudam e orientam, cumprindo assim o papel divino de não nos deixar sobrecarregar com fardos maiores do que aqueles que poderemos suportar.
Então, veja só, o que hoje talvez pareça ruim, horrível, ou até insuportável, muitas vezes é algo que nós mesmos escolhemos e combinamos! E com a aprovação divina, por meio da ajuda que nos dão, antes, durante e depois da vida nossos amigos espirituais.
Nem sempre escolhemos o sofrimento direto (expiação), pode ser que tenhamos apenas optado por enfrentar "tentações" relativas aos nosso vícios, desafios morais (provações), mas estas também podem degenerar em sofrimento puro e simples, quando falhamos.
Pois é, às vezes não damos conta do recado, e isto pode acontecer por termos escolhido desafios demais para a vida atual, ou, quem sabe, podem ter advindo circunstâncias inesperadas: a ajuda com que contávamos para uma prova tal não veio; acabamos assumindo em vida compromissos outros que, somados aos anteriormente programados, acabaram sendo excessivos, etc.
Deus com certeza já sabia de tudo de antemão, mas nós não, e talvez nem mesmo os espíritos-guia que nos ajudaram na escolha das provas, senão provavelmente nos teriam vetado as provações excessivas.
Que fazer então, quando isto ocorre? É claro que o Criador, em sua infinita bondade e compreensão, não nos deixaria na mão nesses casos excepcionais:
De tudo isso se vê a importância da oração: instrumento poderosíssimo de conexão direta com Deus, permite recuperar nossas forças (físicas e espirituais) para enfrentar as dificuldades, além de, se for o caso, pedir a reavaliação das provas que enfrentamos nessa vida.
Mas esses pedidos especiais a Deus nunca devem ser feitos em estado de desespero, raiva, descrença. Quando sobrevêm as maiores dificuldades estamos diante das provações mais importantes de nossas vidas: não joguemos fora estas imensas oportunidades de melhoramento próprio nos deixando levar pelo ódio, abandonando a fé e a esperança, caindo em desespero.
Não, é nessas horas que mais temos que nos esforçar para manter nosso carinho por Deus e nossa fé na sua sabedoria e bondade, pois Ele nunca nos faltará com o auxílio que seja realmente necessário, e de que sejamos merecedores.
Resumindo, é isto: batendo as dificuldades à porta, mantenha sua fé e determinação de crescimento próprio inabalados. Precisando de ajuda, ore, peça-a, e não deixe nunca de ajudar seu próximo. Em último caso, peça a Deus uma reavaliação das suas provações e expiações, que, com certeza, havendo real necessidade e verdadeiro merecimento, Ele lhe atenderá.
Pois é, o Espiritismo não é de fácil aceitação, nem todas as novidades que ele nos traz parecem boas de início. Não é lá muito agradável saber que somos os maiores responsáveis pelas nossas dores, seja direta, seja indiretamente.
Não jogando o Espiritismo para o alto de cara, no entanto, descobrimos que ele não apenas nos joga fardos sobre os ombros (na verdade, abre nossos olhos para os fardos que sempre estiveram aí, mas não sabíamos), mas também nos mostra todos os meios de irmos tirando, pouco a pouco, esses pesos daí!
Boa sorte a todos em suas jornadas, que Deus os abençoe e ilumine sempre! :)
Claro que, ao longo da vida, nos são causados alguns males injustos. Ocorre que, muitas vezes, as dores e provações pelas quais passamos já estavam programadas para a nossa existência, desde antes de nascermos. Veja no Livro dos Espíritos:
258: Na espiritualidade, antes de começar uma nova existência corporal, o Espírito tem consciência e previsão das coisas que acontecerão durante sua vida?
– Ele mesmo escolhe o gênero de provas que quer passar. Nisso consiste seu livre-arbítrio.
Por meio do presente divino do livre-arbítrio, podemos escolher, ainda antes de virmos à vida carnal, os desafios pelos quais passaremos. Mas e quanto às dificuldades inesperadas?
Bem, difícil crer que algo ocorra sem a permissão divina. Ele, que tudo criou e generosamente nos deu, tem, é claro, poder muito além da nossa compreensão. Pequenos acontecimentos, ocasiões, e até o que chamamos coincidências: nada se passa sem o conhecimento (e consentimento) divino.
258 a: Então não é Deus que impõe os sofrimentos da vida como castigo?
– Nada acontece sem a permissão de Deus, que estabeleceu todas as leis que regem o universo. Perguntareis, então, por que Ele fez esta lei em vez daquela. Ao dar ao Espírito a liberdade de escolha, deixa-lhe toda a responsabilidade de seus atos e de suas conseqüências, nada impede seu futuro; o caminho do bem está à frente dele, assim como o do mal. Mas, se fracassa, resta-lhe uma consolação: nem tudo está acabado para ele. Deus, em sua bondade, deixa-o livre para recomeçar, reparando o que fez de mal. É preciso, aliás, distinguir o que é obra da vontade de Deus e o que é obra do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vós que o criastes, foi Deus; mas tendes a liberdade de vos expor a ele, por terdes visto aí um meio de adiantamento, e Deus o permitiu.
No nosso atual estado, de humanos e encarnados, talvez seja mesmo absolutamente impossível querer compreender Deus, em toda sua grandeza. Seria uma proeza além da nossa capacidade, algo parecido com uma bactéria querendo entender a natureza do ser que ela habita: ora, isto está além das suas faculdades de compreensão.
10: O homem pode compreender a natureza íntima de Deus?
– Não, falta-lhe, para isso, um sentido.
11: Um dia será permitido ao homem compreender o mistério da Divindade?
– Quando seu Espírito não estiver mais obscurecido pela matéria e, pela sua perfeição, estiver mais próximo de Deus, então o verá e o compreenderá.
12: Se não podemos compreender a natureza íntima de Deus, podemos ter idéia de algumas de suas perfeições?
– Sim, de algumas. O homem as compreende melhor à medida que se eleva acima da matéria. Ele as pressente pelo pensamento.
Admitindo nossa inferioridade ante a Deus, e nossa mais absoluta incapacidade de compreendê-lo em sua inteireza, parece mais sensato simplesmente ter fé, confiar na sua bondade imensa, caridade inesgotável e amor incondicional por todos nós, seus filhos.
E, assim sendo, temos que confiar que nada nos acontece que não seja de seu conhecimento e vontade. E claro que Deus, infinitamente bom que é, jamais nos quereria o mal. Como compreender, então, que tantas coisas ruins possam acontecer?
A resposta talvez esteja num lado freqüentemente ignorado do sofrimento: ele pode ser reparador. É um dos meios mais eficazes para nos fazer crescer espiritual e moralmente, nos permitindo superar fraquezas, velhos hábitos e tendências... Ou ainda expiar nossas faltas passadas, reparar erros com pessoas a quem prejudicamos nesta ou em outras vidas.
Mas Deus não impõe a expiação, Ele não tem pressa: tudo a seu tempo. Muitas vezes, senão na maioria das vezes mesmo, somos nós quem escolhemos as grandes provações, desafios e expiações pelas quais passaremos em cada existência.
262 a: Quando o Espírito usa seu livre-arbítrio, a escolha da existência corporal depende sempre de sua vontade, ou essa existência pode ser imposta pela vontade de Deus como expiação?
– Deus sabe esperar: não apressa a expiação. No entanto, perante a Lei, um Espírito pode ter uma encarnação compulsória quando, por sua inferioridade, ou má vontade, não está apto a compreender o que lhe poderia ser mais útil e quando essa encarnação pode servir à sua purificação e adiantamento, ao mesmo tempo que lhe sirva de expiação.
Conduzimos o processo de escolha dos nossos desafios terrenos sim, mas não sozinhos: contamos sempre com o precioso auxílio dos espíritos superiores, que nos ajudam e orientam, cumprindo assim o papel divino de não nos deixar sobrecarregar com fardos maiores do que aqueles que poderemos suportar.
264: Como o Espírito escolhe as provas que quer suportar?
– Ele escolhe as que podem ser para ele uma expiação, pela natureza de seus erros, e lhe permitam avançar mais rapidamente. Uns podem, ao escolher, se impor uma vida de misérias e privações para tentar suportá-la com coragem; outros querem se experimentar nas tentações da riqueza e do poder, muito perigosas, pelo abuso e o mau uso que delas se possa fazer e pelas paixões inferiores que desenvolvem; outros, enfim, preferem se experimentar nas lutas que têm que sustentar em contato com o vício.
269: O Espírito pode se enganar sobre a eficácia da prova que escolheu?
– Ele pode escolher uma que esteja acima de suas forças e, então, fracassar. Pode também escolher alguma que não lhe dê nenhum proveito, que resulte numa vida ociosa e inútil; mas, então, uma vez de volta ao mundo dos Espíritos, percebe que nada ganhou e pede para reparar o tempo perdido, numa outra encarnação.
Então, veja só, o que hoje talvez pareça ruim, horrível, ou até insuportável, muitas vezes é algo que nós mesmos escolhemos e combinamos! E com a aprovação divina, por meio da ajuda que nos dão, antes, durante e depois da vida nossos amigos espirituais.
Nem sempre escolhemos o sofrimento direto (expiação), pode ser que tenhamos apenas optado por enfrentar "tentações" relativas aos nosso vícios, desafios morais (provações), mas estas também podem degenerar em sofrimento puro e simples, quando falhamos.
Pois é, às vezes não damos conta do recado, e isto pode acontecer por termos escolhido desafios demais para a vida atual, ou, quem sabe, podem ter advindo circunstâncias inesperadas: a ajuda com que contávamos para uma prova tal não veio; acabamos assumindo em vida compromissos outros que, somados aos anteriormente programados, acabaram sendo excessivos, etc.
Deus com certeza já sabia de tudo de antemão, mas nós não, e talvez nem mesmo os espíritos-guia que nos ajudaram na escolha das provas, senão provavelmente nos teriam vetado as provações excessivas.
Que fazer então, quando isto ocorre? É claro que o Criador, em sua infinita bondade e compreensão, não nos deixaria na mão nesses casos excepcionais:
267: O Espírito pode escolher suas provas, quando já encarnado?
– Seu desejo pode ter influência, dependendo da intenção com que as deseja; mas, como Espírito, vê freqüentemente as coisas muito diferentes. É apenas o Espírito que faz a escolha; mas, afirmamos mais uma vez, é possível. Ele pode fazê-la na vida material, porque para o Espírito há sempre momentos em que fica independente da matéria que habita.
De tudo isso se vê a importância da oração: instrumento poderosíssimo de conexão direta com Deus, permite recuperar nossas forças (físicas e espirituais) para enfrentar as dificuldades, além de, se for o caso, pedir a reavaliação das provas que enfrentamos nessa vida.
Mas esses pedidos especiais a Deus nunca devem ser feitos em estado de desespero, raiva, descrença. Quando sobrevêm as maiores dificuldades estamos diante das provações mais importantes de nossas vidas: não joguemos fora estas imensas oportunidades de melhoramento próprio nos deixando levar pelo ódio, abandonando a fé e a esperança, caindo em desespero.
Não, é nessas horas que mais temos que nos esforçar para manter nosso carinho por Deus e nossa fé na sua sabedoria e bondade, pois Ele nunca nos faltará com o auxílio que seja realmente necessário, e de que sejamos merecedores.
Resumindo, é isto: batendo as dificuldades à porta, mantenha sua fé e determinação de crescimento próprio inabalados. Precisando de ajuda, ore, peça-a, e não deixe nunca de ajudar seu próximo. Em último caso, peça a Deus uma reavaliação das suas provações e expiações, que, com certeza, havendo real necessidade e verdadeiro merecimento, Ele lhe atenderá.
Pois é, o Espiritismo não é de fácil aceitação, nem todas as novidades que ele nos traz parecem boas de início. Não é lá muito agradável saber que somos os maiores responsáveis pelas nossas dores, seja direta, seja indiretamente.
Não jogando o Espiritismo para o alto de cara, no entanto, descobrimos que ele não apenas nos joga fardos sobre os ombros (na verdade, abre nossos olhos para os fardos que sempre estiveram aí, mas não sabíamos), mas também nos mostra todos os meios de irmos tirando, pouco a pouco, esses pesos daí!
Boa sorte a todos em suas jornadas, que Deus os abençoe e ilumine sempre! :)
16 de out. de 2009
As dificuldades em aceitar o Espiritismo
Há vários e vários motivos pelos quais alguém pode se recusar a aceitar o Espiritismo, antes e depois de conhecê-lo.
Antes de conhecê-lo, muitos já o rejeitam de pronto: pode ser por já estarem satisfeitos com sua crença (doutrinária, religiosa, filosófica) atual, o que é completamente legítimo; mas também pode ser por terem algum preconceito contra o Espiritismo, e então se recusarem a sequer levá-lo a sério (o que não é lá muito legal, mas devemos entender e respeitar, sempre).
Pois é, mas não é disto que vamos tratar nesse post! Viemos falar sim daqueles casos em que a pessoa até se aprofundou um pouco, conheceu os principais elementos da Doutrina Espírita, de início até gostou e estava interessada, mas depois acabou a rejeitando, a relegando ao esquecimento, por ter se deparado com dificuldades em aceitá-la.
Essas dificuldades podem ser de muitos tipos: talvez se tenha tido uma idéia inicial errada a respeito do Espiritismo, como a de ser a solução mágica (e automática) para todos os problemas, e depois, claro, veio a inevitável decepção; ou talvez o iniciante tenha... se assustado com o Espiritismo! Sim, essa é uma das possibilidades, e é sobre ela que vamos falar hoje em especial.
O "susto" ao ter o primeiro contato com o Espiritismo é de todo compreensível: descobre-se que nunca ou quase nunca se está de fato sozinho, já que há bilhões de almas desencarnadas, em todo lugar, e elas não respeitam barreiras físicas, só as espirituais, podem interagir conosco em diversos graus, etc.
Descobre-se também que não existe tanta liberdade de pensamento assim, pois tudo o que pensamos (de bom e de mau) produz efeitos sobre nós e também no mundo espiritual, podendo, muitas vezes, ser "ouvido" ou "percebido" pelos irmãos desencarnados (não sem alguns efeitos, igualmente bons ou maus, conforme o que se pensou)...
Isto tudo pode assustar o iniciante. De uma hora para outra, conforme ele começa a ter contato com o Espiritismo, o mundo como conhecia "vira de pernas para o ar"!
Com o perdão de se estar fazendo uma analogia talvez um pouco infantil, é quase como quando Harry Potter recebe a visita de Hagrid, no primeiro livro da série (A Pedra Filosofal), e descobre que tudo que ele sabia até então não passava de meia verdade: havia todo um mundo desconhecido (mágico, no caso de Harry; espiritual, no caso do Espiritismo), mas que na verdade não tem nada de novo, sempre esteve lá, só não se sabia.
Conhecer o Espiritismo, e toda a realidade que até então se ignorava, costuma trazer sensações maravilhosas! Saber que a morte não existe, que nossos amados e queridos que se foram nunca deixam de existir, que essa não é nossa primeira nem nossa última vida, que apenas evoluímos como espíritos, não havendo como regredir, que não há sofrimento eterno ("inferno" ou algo do gênero), que há pessoas com "poderes mágicos" (faculdades mediúnicas)... tudo isto traz reconforto e encantamento à alma!
Mas estes novos saberes implicam também toda uma dose de estranhamentos, como os "sustos" que mencionamos, além de inúmeras responsabilidades que muitas vezes nem sequer imaginávamos que tínhamos!
É, o Espiritismo traz grandes novidades, mas nem todas suaves aos ouvidos: somos eternamente responsáveis por nossos atos, bons ou maus (há relativizações e exceções, mas isso fica para um outro post); nossos débitos passados devem ser "resgatados"; o suicídio não resolve os problemas, nem permite que se fuja deles, muito pelo contrário, só os agrava (idem, isto também renderia um outro post); somos talvez não os únicos, mas os maiores responsáveis pelos nossos sofrimentos passados, atuais e futuros...
E tudo isto, para muitas pessoas, pode ser insuportável: um "preço" muito alto para se acreditar no Espiritismo, mesmo que ele nos traga notícias tão boas, e implique um conhecimento tão vasto sobre o "lado de lá" da vida.
O que fazer então para ajudar esses nossos irmãos que, embora já conheçam ao menos um pouco o Espiritismo e tenham o achado interessante, estejam receosos de aceitá-lo?
Primeiro, seria interessante recomendar que procurem os livros com ensinamentos teóricos básicos (Livro dos Espíritos, Evangelho segundo o Espiritismo, Livro dos Médiuns), e também aqueles com ensinamentos práticos (um bom começo é a série de livros A Vida no Mundo Espiritual, que começa com Nosso Lar, todos escritos pelo Espírito André Luiz e psicografados por Chico Xavier).
Também seria útil indicar Centros Espíritas sérios, onde sempre é possível assistir a palestras, dialogar com colegas mais conhecedores do Espiritismo, receber atendimento (caso precise), alugar livros, etc., tudo sem gastar nada.
Isto é importante porque, adquirindo maiores conhecimentos, o iniciante vai descobrir que não há o que temer, em nenhum daqueles tópicos que mencionamos (responsabilidades mil, espíritos em todo lugar, pensamentos "audíveis", etc): para cada um deles, há uma razão (bela e divina) de ser.
Vamos entrar em algumas dessas questões mais a fundo, quem sabe, nos posts futuros, para fazermos nossa parte em ajudar os iniciantes, nem que seja um pouquinho! Até a próxima sexta-feira, tenham todos uma semana iluminada, e fiquem com Deus!
Antes de conhecê-lo, muitos já o rejeitam de pronto: pode ser por já estarem satisfeitos com sua crença (doutrinária, religiosa, filosófica) atual, o que é completamente legítimo; mas também pode ser por terem algum preconceito contra o Espiritismo, e então se recusarem a sequer levá-lo a sério (o que não é lá muito legal, mas devemos entender e respeitar, sempre).
Pois é, mas não é disto que vamos tratar nesse post! Viemos falar sim daqueles casos em que a pessoa até se aprofundou um pouco, conheceu os principais elementos da Doutrina Espírita, de início até gostou e estava interessada, mas depois acabou a rejeitando, a relegando ao esquecimento, por ter se deparado com dificuldades em aceitá-la.
Essas dificuldades podem ser de muitos tipos: talvez se tenha tido uma idéia inicial errada a respeito do Espiritismo, como a de ser a solução mágica (e automática) para todos os problemas, e depois, claro, veio a inevitável decepção; ou talvez o iniciante tenha... se assustado com o Espiritismo! Sim, essa é uma das possibilidades, e é sobre ela que vamos falar hoje em especial.
O "susto" ao ter o primeiro contato com o Espiritismo é de todo compreensível: descobre-se que nunca ou quase nunca se está de fato sozinho, já que há bilhões de almas desencarnadas, em todo lugar, e elas não respeitam barreiras físicas, só as espirituais, podem interagir conosco em diversos graus, etc.
Descobre-se também que não existe tanta liberdade de pensamento assim, pois tudo o que pensamos (de bom e de mau) produz efeitos sobre nós e também no mundo espiritual, podendo, muitas vezes, ser "ouvido" ou "percebido" pelos irmãos desencarnados (não sem alguns efeitos, igualmente bons ou maus, conforme o que se pensou)...
Isto tudo pode assustar o iniciante. De uma hora para outra, conforme ele começa a ter contato com o Espiritismo, o mundo como conhecia "vira de pernas para o ar"!
Com o perdão de se estar fazendo uma analogia talvez um pouco infantil, é quase como quando Harry Potter recebe a visita de Hagrid, no primeiro livro da série (A Pedra Filosofal), e descobre que tudo que ele sabia até então não passava de meia verdade: havia todo um mundo desconhecido (mágico, no caso de Harry; espiritual, no caso do Espiritismo), mas que na verdade não tem nada de novo, sempre esteve lá, só não se sabia.
Conhecer o Espiritismo, e toda a realidade que até então se ignorava, costuma trazer sensações maravilhosas! Saber que a morte não existe, que nossos amados e queridos que se foram nunca deixam de existir, que essa não é nossa primeira nem nossa última vida, que apenas evoluímos como espíritos, não havendo como regredir, que não há sofrimento eterno ("inferno" ou algo do gênero), que há pessoas com "poderes mágicos" (faculdades mediúnicas)... tudo isto traz reconforto e encantamento à alma!
Mas estes novos saberes implicam também toda uma dose de estranhamentos, como os "sustos" que mencionamos, além de inúmeras responsabilidades que muitas vezes nem sequer imaginávamos que tínhamos!
É, o Espiritismo traz grandes novidades, mas nem todas suaves aos ouvidos: somos eternamente responsáveis por nossos atos, bons ou maus (há relativizações e exceções, mas isso fica para um outro post); nossos débitos passados devem ser "resgatados"; o suicídio não resolve os problemas, nem permite que se fuja deles, muito pelo contrário, só os agrava (idem, isto também renderia um outro post); somos talvez não os únicos, mas os maiores responsáveis pelos nossos sofrimentos passados, atuais e futuros...
E tudo isto, para muitas pessoas, pode ser insuportável: um "preço" muito alto para se acreditar no Espiritismo, mesmo que ele nos traga notícias tão boas, e implique um conhecimento tão vasto sobre o "lado de lá" da vida.
O que fazer então para ajudar esses nossos irmãos que, embora já conheçam ao menos um pouco o Espiritismo e tenham o achado interessante, estejam receosos de aceitá-lo?
Primeiro, seria interessante recomendar que procurem os livros com ensinamentos teóricos básicos (Livro dos Espíritos, Evangelho segundo o Espiritismo, Livro dos Médiuns), e também aqueles com ensinamentos práticos (um bom começo é a série de livros A Vida no Mundo Espiritual, que começa com Nosso Lar, todos escritos pelo Espírito André Luiz e psicografados por Chico Xavier).
Também seria útil indicar Centros Espíritas sérios, onde sempre é possível assistir a palestras, dialogar com colegas mais conhecedores do Espiritismo, receber atendimento (caso precise), alugar livros, etc., tudo sem gastar nada.
Isto é importante porque, adquirindo maiores conhecimentos, o iniciante vai descobrir que não há o que temer, em nenhum daqueles tópicos que mencionamos (responsabilidades mil, espíritos em todo lugar, pensamentos "audíveis", etc): para cada um deles, há uma razão (bela e divina) de ser.
Vamos entrar em algumas dessas questões mais a fundo, quem sabe, nos posts futuros, para fazermos nossa parte em ajudar os iniciantes, nem que seja um pouquinho! Até a próxima sexta-feira, tenham todos uma semana iluminada, e fiquem com Deus!
9 de out. de 2009
A previdência e o Espiritismo
O conflito entre matéria e espírito é velho conhecido dos que se interessam pelo Espiritismo. É, em última análise, um dos maiores desafios para todos nós, encarnados na Terra: a batalha entre nossos impulsos materiais/carnais e a demanda pela nossa evolução moral/espiritual.
Escolhendo um tema específico dessa grande questão, para não alongar demais nosso post, ficaremos hoje com a questão da previdência: aquela precaução de poupar recursos, ao longo da vida, e quem sabe os investindo também, para que, advindo idade avançada ou qualquer outra impossibilidade física (moléstias, acidentes), seja possível sobreviver sem trabalhar.
Em outras palavras, é a boa e velha aposentadoria, poupança, previdência privada, INSS, dinheiro embaixo do colchão, e por aí vai, rs.
É legítimo guardarmos quantias pra eventuais contingências futuras, ou, em um exemplo de abnegação material, devemos doar à caridade tudo o que exceder as nossas necessidades materiais mínimas?
Mais uma vez, por lógica, já se imagina a resposta: é legítimo se precaver para o futuro, claro!
É um dever mesmo da lei de auto-conservação: Deus nos concedeu este corpo para a realização de uma série de trabalhos e aprendizados na Terra, e devemos então cuidar dele tanto quanto possível.
Mas, cuidado: não a qualquer custo, mas sim tanto quanto possível, sem desrespeitar, claro as demais exigências de ordem moral, como doar um pouco a quem precisa, sempre que der. (aliás, veja nosso post sobre como doar comida todo dia sem gastar nada)
Veja o que diz o Livro dos Espíritos sobre o instinto de conservação:
Nada mais natural, não? Tudo parece agradar ao raciocínio lógico, de modo que talvez nem precisasse, mas o Livro dos Espíritos fala ainda especificamente da questão da previdência, não por redundância, mas por amor à clareza:
É o que dissemos: desde que seja por meio de um trabalho honesto (e não por qualquer meio, como os ilegais, desonestos, imorais), não há nada de errado em colher seus frutos!
E mais: colhidos os frutos, é inteligente e admirável que se reserve parte deles para os momentos de dificuldades futuras, em função de idade avançada, ou em razão de um acidente, doença, etc.
É algo instintivo até, que nos manda o nosso impulso de auto-conservação, que, aliás, é divino, pois atende aos desígnios maiores de aproveitarmos ao máximo nossa existência carnal para a realização das missões que nos foram atribuídas, sejam elas quais forem (expiação, provação, serviço, etc.).
Este é ainda um outro exemplo de beleza e sabedoria do Livro dos Espíritos! Gostou? Se você ainda não leu, veja o que ele tem a dizer sobre outros temas interessantes, como se animais têm alma, se há vida fora da Terra, ou aguarde nossos próximos posts! :)
Escolhendo um tema específico dessa grande questão, para não alongar demais nosso post, ficaremos hoje com a questão da previdência: aquela precaução de poupar recursos, ao longo da vida, e quem sabe os investindo também, para que, advindo idade avançada ou qualquer outra impossibilidade física (moléstias, acidentes), seja possível sobreviver sem trabalhar.
Em outras palavras, é a boa e velha aposentadoria, poupança, previdência privada, INSS, dinheiro embaixo do colchão, e por aí vai, rs.
É legítimo guardarmos quantias pra eventuais contingências futuras, ou, em um exemplo de abnegação material, devemos doar à caridade tudo o que exceder as nossas necessidades materiais mínimas?
Mais uma vez, por lógica, já se imagina a resposta: é legítimo se precaver para o futuro, claro!
É um dever mesmo da lei de auto-conservação: Deus nos concedeu este corpo para a realização de uma série de trabalhos e aprendizados na Terra, e devemos então cuidar dele tanto quanto possível.
Mas, cuidado: não a qualquer custo, mas sim tanto quanto possível, sem desrespeitar, claro as demais exigências de ordem moral, como doar um pouco a quem precisa, sempre que der. (aliás, veja nosso post sobre como doar comida todo dia sem gastar nada)
Veja o que diz o Livro dos Espíritos sobre o instinto de conservação:
702 O instinto de conservação é uma lei natural?
– Sem dúvida. Foi dado a todos os seres vivos, seja qual for o grau de inteligência. Para uns, é puramente mecânico; para outros, é racional.
703 Com que objetivo Deus deu a todos os seres vivos o instinto de conservação?
– Porque todos devem cumprir os desígnios da Providência; é por isso que Deus deu o instinto de conservação. Além disso, a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres que têm instintivamente esse sentimento, sem se darem conta disso.
Nada mais natural, não? Tudo parece agradar ao raciocínio lógico, de modo que talvez nem precisasse, mas o Livro dos Espíritos fala ainda especificamente da questão da previdência, não por redundância, mas por amor à clareza:
881 O direito de viver dá ao homem o direito de juntar o necessário para viver e repousar, quando não puder mais trabalhar?
– Sim, mas deve fazê-lo socialmente, como a abelha, por um trabalho honesto, e não juntar como um egoísta. Até mesmo certos animais lhe dão o exemplo do que é previdência.
É o que dissemos: desde que seja por meio de um trabalho honesto (e não por qualquer meio, como os ilegais, desonestos, imorais), não há nada de errado em colher seus frutos!
E mais: colhidos os frutos, é inteligente e admirável que se reserve parte deles para os momentos de dificuldades futuras, em função de idade avançada, ou em razão de um acidente, doença, etc.
É algo instintivo até, que nos manda o nosso impulso de auto-conservação, que, aliás, é divino, pois atende aos desígnios maiores de aproveitarmos ao máximo nossa existência carnal para a realização das missões que nos foram atribuídas, sejam elas quais forem (expiação, provação, serviço, etc.).
Este é ainda um outro exemplo de beleza e sabedoria do Livro dos Espíritos! Gostou? Se você ainda não leu, veja o que ele tem a dizer sobre outros temas interessantes, como se animais têm alma, se há vida fora da Terra, ou aguarde nossos próximos posts! :)
5 de out. de 2009
Turma da Mônica: um exemplo para todos nós?
A Turma da Mônica, conhecida de todo brasileiro (ou quase), é fonte inesgotável de diversão para crianças e adultos, com suas centenas de personagens, há mais de 50 anos.Mas o mais legal das histórias da turminha é que elas nunca tiveram o mero propósito de divertir, de pura e simplesmente provocar o riso (embora sejam craques nisso! há histórias impagáveis de tão divertidas!)...
Não, mais que isso, muito mais até: os quadrinhos da Turma sempre buscaram passar mensagens positivas, bons valores, conscientizar para os problemas do mundo (sendo a questão ecológica uma das mais recorrentes), além de, claro, ajudar na alfabetização.
Se a única contribuição da turminha fosse a de ajudar a aprender a ler e escrever, seria já louvável, mas não tão extraordinário assim, não é mesmo? Afinal, qualquer outra história em quadrinho, em tese, pode fazer o mesmo.
Só que não pára por aí, a Turma vai muito além: sempre que surge a oportunidade, são transmitidos valores de amor ao próximo, respeito, compreensão, aceitação dos diferentes...
Há, por exemplo, personagens deficientes, perfeitamente integrados, como Humberto, Dorinha e Luca:
Além disso, o reforço de valores positivos está presente em várias e várias histórias. Chico Bento e Papa-Capim costumam passar (belíssimas) mensagens pró-ecologia (há histórias clássicas do Chico nesse sentido).
A Mônica, mesmo com seu temperamento mais... explosivo, rs, é super amorosa com todos em geral; a Turma do Penadinho consegue lidar, de uma forma muito inteligente e suave, com um tema tão sensível (em especial para os pequenos) como a morte carnal...
Falando desta temática, aliás, de morte e reencarnação, não é só a Turma do Penadinho que dá um show: há uma história absolutamente fantástica, inteligente, divertidíssima e ainda assim linda, que fala do assunto. É a história de abertura da revista da Magali nº 368, pela Editora Globo, de título "Reencarnação":

Nessa história, a Magali e seu verdadeiro amor (que, surpreendentemente, não é o Quinzinho, seu namoradinho de sempre) reencontram-se (ou melhor, desencontram-se, rs) vida após vida. O final, imperdível, deixamos para o leitor descobrir por si mesmo! Essa história está inteirinha disponível na internet.
Mas chega da nossa opinião sobre a turminha! Veja o que Mauricio de Sousa mesmo, seu pai e criador, tem a falar a respeito, sintetizando seus valores e qualidades (em excerto retirado da mensagem de apresentação de outra ótima iniciativa da Turma, já nas bancas, que é a Monica's Gang, em inglês ou espanhol, para ajudar no aprendizado de outras línguas):
Conhecidas dos nossos leitores há várias gerações, Mônica e sua Turminha se apresentam como crianças sensíveis, espertas, inteligentes, que gostam de ter amigos e vivem num mundo cheio de diversão e aventura. E, graças às suas histórias engraçadas e desenhos agradáveis, a Turma da Mônica faz sucesso há muitos anos e é publicada em mais de 20 idiomas.
Nas páginas desta revista você encontra mensagens de companheirismo, ética e valores, sempre com muita alegria e descontração. Nossos amiguinhos já ajudaram a alfabetizar muitas crianças brasileiras, em português, e agora vêm convidar você a se divertir em inglês e, brincando, aprender sempre mais. Temos muito a compartilhar com todas as crianças do mundo, e é um privilégio contarmos com a sua amizade. A língua é um importante meio de aproximação dos povos. Quando as crianças brincam juntas, já viu, né? Serão amigas para toda a vida!
Com sua linguagem simples, direta e acessível, e sempre passando bons valores, a Turma foi longe, estando hoje presente em vários países, sendo de grande sucesso no Brasil.
É um belíssimo exemplo de como alguém pode usar o seu ofício para melhorar o mundo positivamente, sem com isso deixar de ganhar o merecido pelo seu trabalho.
Com sua missão duplamente positiva, de divertir e educar, a Turma merece todo o respeito, e os mais vigorosos aplausos!
Pelos valores que transmite, de amor, ética, companheirismo e respeito, não se filiando a religião, crença ou doutrina alguma, faz jus à maior admiração!
E mais, o papel positivo cumprido pela Turma tem tudo a ver com a verdadeira missão do Espiritismo, que não é um fim em si mesmo, mas um meio para ajudar a humanidade a progredir, fazendo do mundo um lugar melhor.
Mauricio fez a sua parte, os inúmeros profissionais (em especial os roteiristas) responsáveis pela Turma continuam fazendo a deles; que tal nos inspirarmos em seu exemplo, e tentarmos ajudar o próximo por meio do nosso trabalho também?
Se até na arte de produzir histórias em quadrinhos isso é possível, por que não seria em todas as demais profissões? Pensem nisso, e fiquem todos com Deus! :)
2 de out. de 2009
Gripe suína, gripe aviária, sarampo: carma nosso?
Concluindo o tema do relacionamento entre humanos e animais do ponto de vista do Espiritismo, já abordado nos três posts anteriores (cuja leitura prévia recomendamos, aliás: Humanos e animais: quem são os irracionais?, Os animais têm alma? e Precisamos virar vegetarianos?), hoje falaremos, finalmente, de medidas outras que não o vegetarianismo para tratar com amor e respeito os animais.
O leitor deve estar curioso, no entanto, para saber o porquê do título do nosso post, o que teria ele a ver com o tema proposto. Vejamos o que essas três doenças, gripe suína, gripe aviária e sarampo têm em comum: são todas doenças graves, e causadas por vírus.
Mas não pára por aí: as três são moléstias que acabaram atingindo (em cheio) nós, humanos, por conta da criação intensiva (em especial na modalidade de confinamento) dos principais animais que consumimos, a saber, porcos, aves, e gado, respectivamente.
Assustador, não? Pois espere, pode ficar ainda pior. Veja o que diz a revista SUPER interessante de agosto de 2009 (ed. 268), em sua matéria de capa, "Os verdadeiros donos do mundo" (grifos nossos):
Preocupante demais, não? Nosso consumo desenfreado de carne levou à criação de uma megaindústria de carne, que gera, cria e abate animais em massa, obtendo assim ganhos de escala e produtividade, e atendendo a uma demanda sempre crescente.
Se antes caçávamos para comer, hoje a indústria cria, confina e extermina para lucrar. E isso talvez não venha sem conseqüências: o número de doenças, cada vez mais letais, que vem surgindo deste evidente excesso de consumo e de criação de carne, está aí para nos fazer repensar hábitos.
Não poderia ser a destruição causada por estas doenças uma resposta à destruição que impomos aos animais, em atendimento à Lei de Causa e Efeito? Veja o que diz o Livro dos Espíritos, de Allan Kardec:
Pois é, talvez precisemos destas doenças arrasadoras, oriundas dos excessos industriais na criação de carne, para acordarmos para a realidade do mal que estamos causando, cada vez mais e em maior grau, aos animais.
Porém nem todos podem (e muitos não querem) virar vegetarianos, e não há problema algum nisso, segundo o Espiritismo (vide nosso post anterior): nosso corpo ainda grosseiro exige uma alimentação igualmente grosseira; no entanto, adotar o vegetarianismo não só hoje é possível, sem prejudicar a saúde (há exceções), como é também um belo e admirável gesto de amor ao próximo (no caso, aos animais), sinal de evolução espiritual própria, e tendência irreversível de progresso da moralidade humana.
Mas isso não nos exime, vegetarianos ou não, de repensarmos o modo como a carne é hoje produzida e consumida.
A indústria trata os animais como verdadeiros objetos indignos do menor resquício de dignidade: eles são mutilados, prensados, jogados para lá e para cá manualmente ou em máquinas, criados num confinamento tão absurdo que leva a um grau impensável de estresse (chegam a se auto-flagelar em desespero), muitos são simplesmente descartados e triturados vivos (muitas vezes logo após o nascimento, como ocorre no caso dos pintinhos, pois galos têm menor valor econômico que galinhas, já que não produzem ovos), e algumas das formas de abate são as mais cruéis possíveis.
Não podemos, nenhum de nós, virar as costas a essa realidade: a cada vez que consumimos carne de origem industrial, produzida com a única preocupação de obter o máximo lucro, estamos dando nosso aval a esse tipo de processo industrial.
E isso tem um caro preço, como se viu na reportagem da SUPER: para além das graves perturbações que infligimos em nossos irmãos animais, isso parece ter se voltado contra nós, enfim, na forma de doenças sucessivamente mais mortais.
Passou da hora de repensarmos nossas atitudes: embora fosse o ideal, não precisamos virar vegetarianos (de novo, como mostramos em nossa mensagem anterior); mas precisamos sim com certeza começar a pressionar a indústria para um tratamento mais digno dos seres destinados à alimentação, ao menos até o momento em que estivermos todos prontos a abandonar o consumo de carne.
Devemos trabalhar tanto quanto estiver ao nosso alcance para impedir a indústria de continuar com suas práticas grotescas de mutilação, confinamento, e agressões injustificadas outras. Valorizar e preferir carne de animais criados de modo mais tradicional (com menor grau de confinamento), como o frango caipira (criado solto na natureza), parece ser um ótimo primeiro passo.
Um trabalho muito admirável nesse sentido é o que vem fazendo o PETA (People for the Ethical Treatment of Animals, ou Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), pressionando mudanças na legislação dos EUA para impedir a indústria de usar métodos cruéis contra animais, e fiscalizando a observância dessas leis. Por que não tentamos algo semelhante por aqui?
Não deve ser tão difícil tratar os animais destinados ao abate um pouquinho melhor. Talvez encareça o preço final do produto, e conseqüentemente reduza um pouco a demanda por carne; mas será que isto seria assim tão ruim? Não valeria a pena, não seria um gesto mínimo de amor ao próximo, enquanto não for o vegetarianismo universal?
São meros paliativos, claro, afinal só o completo abandono do consumo de carne resolveria de vez todos os problemas; mas ao menos são coisas pelas quais todos nós podemos trabalhar, sem precisar para isso mudar nossa alimentação desde já! E tudo isto reverteria, com o tempo, em grandes benefícios para nossos irmãos animais, e igualmente para nós, tanto no campo material (menos pandemias), quanto no moral e espiritual!
Por que não começamos a defender (e espalhar) essas idéias? Pense nisso! :)
O leitor deve estar curioso, no entanto, para saber o porquê do título do nosso post, o que teria ele a ver com o tema proposto. Vejamos o que essas três doenças, gripe suína, gripe aviária e sarampo têm em comum: são todas doenças graves, e causadas por vírus.
Mas não pára por aí: as três são moléstias que acabaram atingindo (em cheio) nós, humanos, por conta da criação intensiva (em especial na modalidade de confinamento) dos principais animais que consumimos, a saber, porcos, aves, e gado, respectivamente.
Assustador, não? Pois espere, pode ficar ainda pior. Veja o que diz a revista SUPER interessante de agosto de 2009 (ed. 268), em sua matéria de capa, "Os verdadeiros donos do mundo" (grifos nossos):
Há 10 mil anos o homem descobriu um modo de vida mais eficiente que a caça: a agricultura e a criação de animais. [...] Com os primeiros criadouros, passamos a conviver com quantidades industriais de fezes, urina e outras secreções do gado. Além disso, a domesticação aumentou muito a população desses animais. Mais corpos para os vírus invadirem. E variações mais letais desses micro-organismos começaram a aparecer no gado. Era questão de tempo para que algum vírus assim saltasse para nós.
E foi o que aconteceu. Quem diz é a genética. Nos últimos anos, a ciência ganhou o poder de rastrear a origem dos vírus. [...] Nisso, concluíram que o vírus do sarampo é parente de um que ataca o gado, da peste bovina. Ou seja: o vírus dos bois passou por uma mutação genética na época das primeiras criações e adquiriu o poder de invadir pessoas. Invadir e, agora, matar sem dó [...]
Se o sarampo veio da criação de bois, a gripe é um filhote dos chiqueiros e galinheiros. O caminho do influenza começa nas aves selvagens, que carregam o vírus sem ter como infectar humanos. [...] Durante suas migrações, os pássaros selvagens acabavam bebendo água nos reservatórios das criações de galinha. E também faziam suas necessidades por lá. Aí as galinhas bebiam a água contaminada pelas fezes e pegavam o vírus. Como galinhas e porcos sempre foram criados meio juntos, não demorou para que surgisse algum vírus mutante dessa gripe aviária capaz de atacar os suínos. [...] Aí foi questão de tempo para surgir uma variação que infectasse o homem. No caso, o vírus da gripe humana.
Mas a festa do influenza não parou por aí. Os porcos ficaram vulneráveis à gripe humana e à aviária, além de terem a gripe exclusiva deles. Então até hoje acontece uma suruba genética lá dentro. E versões novas e imprevisíveis do vírus continuam aparecendo. É por isso que todo ano surge uma gripe diferente, que o nosso sistema imunológico não conhece. [...] Se a cada ano vem uma gripe nova, em intervalos mais longos aparecem algumas realmente violentas. Foi o caso de 1918. E de agora.
Apesar de o sistema de saúde hoje ser bem melhor que o do começo do século 20, os criadouros de vírus também são. Hoje há 1 bilhão de porcos no mundo. E quase 3 galinhas por habitante. Se o consumo de proteínas continuar crescendo nos países em desenvolvimento (o que é ótimo), esses números vão triplicar. E a chance de aparecer novas gripes mortais também.
Preocupante demais, não? Nosso consumo desenfreado de carne levou à criação de uma megaindústria de carne, que gera, cria e abate animais em massa, obtendo assim ganhos de escala e produtividade, e atendendo a uma demanda sempre crescente.
Se antes caçávamos para comer, hoje a indústria cria, confina e extermina para lucrar. E isso talvez não venha sem conseqüências: o número de doenças, cada vez mais letais, que vem surgindo deste evidente excesso de consumo e de criação de carne, está aí para nos fazer repensar hábitos.
Não poderia ser a destruição causada por estas doenças uma resposta à destruição que impomos aos animais, em atendimento à Lei de Causa e Efeito? Veja o que diz o Livro dos Espíritos, de Allan Kardec:
737 Com que objetivo os flagelos destruidores atingem a humanidade?
– Para fazê-la progredir mais depressa. Não dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem em cada nova existência um novo grau de perfeição? É preciso ver o objetivo para apreciar os resultados dele. Vós os julgais somente do ponto de vista pessoal e os chamais de flagelos por causa do prejuízo que ocasionam; mas esses aborrecimentos são, na maior parte das vezes, necessários para fazer chegar mais rapidamente a uma ordem de coisas melhores e realizar em alguns anos o que exigiria séculos.
Pois é, talvez precisemos destas doenças arrasadoras, oriundas dos excessos industriais na criação de carne, para acordarmos para a realidade do mal que estamos causando, cada vez mais e em maior grau, aos animais.
Porém nem todos podem (e muitos não querem) virar vegetarianos, e não há problema algum nisso, segundo o Espiritismo (vide nosso post anterior): nosso corpo ainda grosseiro exige uma alimentação igualmente grosseira; no entanto, adotar o vegetarianismo não só hoje é possível, sem prejudicar a saúde (há exceções), como é também um belo e admirável gesto de amor ao próximo (no caso, aos animais), sinal de evolução espiritual própria, e tendência irreversível de progresso da moralidade humana.
Mas isso não nos exime, vegetarianos ou não, de repensarmos o modo como a carne é hoje produzida e consumida.
A indústria trata os animais como verdadeiros objetos indignos do menor resquício de dignidade: eles são mutilados, prensados, jogados para lá e para cá manualmente ou em máquinas, criados num confinamento tão absurdo que leva a um grau impensável de estresse (chegam a se auto-flagelar em desespero), muitos são simplesmente descartados e triturados vivos (muitas vezes logo após o nascimento, como ocorre no caso dos pintinhos, pois galos têm menor valor econômico que galinhas, já que não produzem ovos), e algumas das formas de abate são as mais cruéis possíveis.
Não podemos, nenhum de nós, virar as costas a essa realidade: a cada vez que consumimos carne de origem industrial, produzida com a única preocupação de obter o máximo lucro, estamos dando nosso aval a esse tipo de processo industrial.
E isso tem um caro preço, como se viu na reportagem da SUPER: para além das graves perturbações que infligimos em nossos irmãos animais, isso parece ter se voltado contra nós, enfim, na forma de doenças sucessivamente mais mortais.
Passou da hora de repensarmos nossas atitudes: embora fosse o ideal, não precisamos virar vegetarianos (de novo, como mostramos em nossa mensagem anterior); mas precisamos sim com certeza começar a pressionar a indústria para um tratamento mais digno dos seres destinados à alimentação, ao menos até o momento em que estivermos todos prontos a abandonar o consumo de carne.
Devemos trabalhar tanto quanto estiver ao nosso alcance para impedir a indústria de continuar com suas práticas grotescas de mutilação, confinamento, e agressões injustificadas outras. Valorizar e preferir carne de animais criados de modo mais tradicional (com menor grau de confinamento), como o frango caipira (criado solto na natureza), parece ser um ótimo primeiro passo.
Um trabalho muito admirável nesse sentido é o que vem fazendo o PETA (People for the Ethical Treatment of Animals, ou Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), pressionando mudanças na legislação dos EUA para impedir a indústria de usar métodos cruéis contra animais, e fiscalizando a observância dessas leis. Por que não tentamos algo semelhante por aqui?
Não deve ser tão difícil tratar os animais destinados ao abate um pouquinho melhor. Talvez encareça o preço final do produto, e conseqüentemente reduza um pouco a demanda por carne; mas será que isto seria assim tão ruim? Não valeria a pena, não seria um gesto mínimo de amor ao próximo, enquanto não for o vegetarianismo universal?
São meros paliativos, claro, afinal só o completo abandono do consumo de carne resolveria de vez todos os problemas; mas ao menos são coisas pelas quais todos nós podemos trabalhar, sem precisar para isso mudar nossa alimentação desde já! E tudo isto reverteria, com o tempo, em grandes benefícios para nossos irmãos animais, e igualmente para nós, tanto no campo material (menos pandemias), quanto no moral e espiritual!
Por que não começamos a defender (e espalhar) essas idéias? Pense nisso! :)
29 de set. de 2009
Precisamos virar vegetarianos?
Ainda no tema dos animais e o Espiritismo, que abordamos já em dois posts (recomendamos, com carinho, sua leitura antes de continuar: Humanos e animais: quem são os irracionais? e Os animais têm alma?), falaremos agora um pouquinho da questão do vegetarianismo.
Trata-se de assunto bastante polêmico, mesmo entre os espíritas. Basicamente, a questão que vamos tentar responder é: o Espiritismo exige que viremos vegetarianos? Ou melhor, em outras palavras: deixar de comer carne é uma exigência decorrente do nosso dever de tratar com amor e respeito os animais?
Em primeiro lugar, vejamos a questão 723, submetida aos espíritos por Allan Kardec no Livro dos Espíritos:
A resposta talvez decepcione os vegetarianos, já que defende o consumo de carne para a manutenção da saúde corpórea. Ora, não podemos esquecer, no entanto, que esse ensinamento nos foi compartilhado pelos irmãos espirituais em 1857, há mais de um século e meio.
Há 150 anos, com certeza, não havíamos ainda desenvolvido nossos conhecimentos técnicos e científicos a ponto de estudar alternativas nutricionais mais a fundo, e a resposta tem que então ser considerada em relação à situação da época, muito diferente da atual.
Hoje, para muitas pessoas, é possível manter uma alimentação perfeitamente saudável sendo exclusivamente vegatariano ou vegan. Há uma série de livros, artigos, blogs e sites por aí com ótimas dicas a respeito, basta consultar o Google (procure por "vegetarianismo", "vegetariano", "vegan", e assim vai)!
E o mais surpreendente é que os espíritos de 1857 não ignoraram essa questão, da evolução da alimentação humana, caminhando para um eventual abandono do consumo de carne. Na resposta 710, também do Livro dos Espíritos, eles nos ensinam, com muita clareza, que em mundos mais evoluídos a alimentação é totalmente diferente da nossa, sendo então bem menos grosseira:
Agora começa a fazer mais sentido a resposta 723, não? Pois espere só, vai melhorar ainda mais: veja o que nos dizem os mentores espirituais na questão 724 do Livro dos Espíritos:
E com esta resposta, o quebra-cabeça está quase completo. Podemos tirar já algumas conclusões bastante válidas: comer carne era a única alternativa saudável em 1857, hoje não mais; além disso, deve-se ver com bons olhos a abstenção do consumo de carne, é um esforço digno de muito mérito; aliás, esta evolução da alimentação, tornando-se menos grosseira, e parando de depender do sacrifício de vida animal, é mesmo sinal de evolução da humanidade terrestre.
Mas por que os espíritos, então, não defenderam o vegetarianismo já em 1857? Bem, mais uma vez, por lógica, temos que interpretar uma obra sempre dentro de seu contexto. Cada mensagem espiritual vem em um dado momento, em um dado local, e tem que ser vista sob a ótica da sociedade deste tempo e lugar.
Assim como o Evangelho interpretado literalmente (ao invés de contextualmente) pode dar margem a uma série de abusos, o mesmo pode ocorrer com o Livro dos Espíritos; embora este, com certeza, por ser mais recente, e por passar ensinamentos de forma mais direta e objetiva (já que não usa narrativas), dê uma margem muito menor a interpretações equivocadas.
E quer ver o mais curioso disso tudo? Os próprios mentores espirituais responsáveis pelo Livro dos Espíritos nos fazem essa ressalva, e Kardec belissimamente tece algumas considerações a respeito, inclusive sobre a questão do vegetarianismo:
Belos ensinamentos! Apenas para concluir, então, vamos responder a questão proposta no início do post: pois é, ao que parece, não há o dever de se tornar vegetariano. Não faria sentido, aliás, impor isso a alguém: tiraria mesmo o mérito deste gesto de amor, que deve ser sempre uma opção individual.
Além disso, algumas pessoas, por suas características físicas, não podem ser vegetarianas; dependem mesmo, por orientação médica, do consumo esporádico ou habitual de proteína animal. Certamente, com o tempo, nossa Medicina evoluirá a ponto de suprir estas necessidades de pessoas específicas; até lá, elas não têm nem como considerar parar de comer carne.
As demais pessoas, sem qualquer impedimento ao vegetarianismo, no entanto, deveriam (idealmente) considerar essa alternativa com carinho. Nosso consumo desenfreado de animais vem ensejando uma série de verdadeiros horrores por parte da indústria, comparáveis aos perpetrados pelo nazismo nos campos de concentração (você provavelmente já viu algum vídeo a respeito).
Abandonar o consumo de carne seria, dos sacrifícios pessoais, um dos mais belos e meritórios, pois feito puramente em favor de nossos irmãozinhos (ou irmaozões) menos complexos, os animais. É uma questão evolutiva até: a moralidade terrestre parece caminhar neste sentido, há uma crescente tendência.
Quem ainda não pode ou não quer (por qualquer motivo) se adiantar ao seu tempo, virando vegetariano desde já, poderia, ao menos, defender a adoção de paliativos, em prol de um tratamento mais amoroso e respeitoso dos animais nos criadouros e nas casas de abate, tal como: o fim do confinamento, das mutilações, do abate violento/doloroso...
Mas essa questão de como tratar com mais amor os animais, hoje e já, e mesmo sem a adoção do vegetarianismo (embora isto parecesse o ideal), vamos explorar mais a fundo em nosso próximo post! Que Deus abençoe todos!
Trata-se de assunto bastante polêmico, mesmo entre os espíritas. Basicamente, a questão que vamos tentar responder é: o Espiritismo exige que viremos vegetarianos? Ou melhor, em outras palavras: deixar de comer carne é uma exigência decorrente do nosso dever de tratar com amor e respeito os animais?
Em primeiro lugar, vejamos a questão 723, submetida aos espíritos por Allan Kardec no Livro dos Espíritos:
723 A alimentação animal é, para o homem, contrária à lei natural?
– Em vossa constituição física, a carne alimenta a carne; de outro modo, o homem enfraquece. A lei de conservação dá ao homem o dever de manter suas forças e sua saúde para cumprir a lei do trabalho. Ele deve, portanto, se alimentar conforme as exigências de seu organismo.
A resposta talvez decepcione os vegetarianos, já que defende o consumo de carne para a manutenção da saúde corpórea. Ora, não podemos esquecer, no entanto, que esse ensinamento nos foi compartilhado pelos irmãos espirituais em 1857, há mais de um século e meio.
Há 150 anos, com certeza, não havíamos ainda desenvolvido nossos conhecimentos técnicos e científicos a ponto de estudar alternativas nutricionais mais a fundo, e a resposta tem que então ser considerada em relação à situação da época, muito diferente da atual.
Hoje, para muitas pessoas, é possível manter uma alimentação perfeitamente saudável sendo exclusivamente vegatariano ou vegan. Há uma série de livros, artigos, blogs e sites por aí com ótimas dicas a respeito, basta consultar o Google (procure por "vegetarianismo", "vegetariano", "vegan", e assim vai)!
E o mais surpreendente é que os espíritos de 1857 não ignoraram essa questão, da evolução da alimentação humana, caminhando para um eventual abandono do consumo de carne. Na resposta 710, também do Livro dos Espíritos, eles nos ensinam, com muita clareza, que em mundos mais evoluídos a alimentação é totalmente diferente da nossa, sendo então bem menos grosseira:
710 Nos planetas onde o corpo é mais depurado, os seres vivos têm necessidade de alimentação?
– Sim, mas os alimentos estão de acordo com sua natureza. Esses alimentos não seriam muito substanciais para vossos estômagos grosseiros, do mesmo modo que, para eles, a vossa alimentação também não serviria.
Agora começa a fazer mais sentido a resposta 723, não? Pois espere só, vai melhorar ainda mais: veja o que nos dizem os mentores espirituais na questão 724 do Livro dos Espíritos:
724 A abstenção de alimento animal ou outro, como purificação, é meritória?
– Sim, se essa abstenção for em benefício dos outros; mas Deus não pode ver uma mortificação quando não é séria e útil. Por isso dizemos que aqueles que se privam apenas na aparência são hipócritas.
E com esta resposta, o quebra-cabeça está quase completo. Podemos tirar já algumas conclusões bastante válidas: comer carne era a única alternativa saudável em 1857, hoje não mais; além disso, deve-se ver com bons olhos a abstenção do consumo de carne, é um esforço digno de muito mérito; aliás, esta evolução da alimentação, tornando-se menos grosseira, e parando de depender do sacrifício de vida animal, é mesmo sinal de evolução da humanidade terrestre.
Mas por que os espíritos, então, não defenderam o vegetarianismo já em 1857? Bem, mais uma vez, por lógica, temos que interpretar uma obra sempre dentro de seu contexto. Cada mensagem espiritual vem em um dado momento, em um dado local, e tem que ser vista sob a ótica da sociedade deste tempo e lugar.
Assim como o Evangelho interpretado literalmente (ao invés de contextualmente) pode dar margem a uma série de abusos, o mesmo pode ocorrer com o Livro dos Espíritos; embora este, com certeza, por ser mais recente, e por passar ensinamentos de forma mais direta e objetiva (já que não usa narrativas), dê uma margem muito menor a interpretações equivocadas.
E quer ver o mais curioso disso tudo? Os próprios mentores espirituais responsáveis pelo Livro dos Espíritos nos fazem essa ressalva, e Kardec belissimamente tece algumas considerações a respeito, inclusive sobre a questão do vegetarianismo:
182 Podemos conhecer exatamente o estado físico e moral dos diferentes mundos?
– Nós, Espíritos, só podemos responder de acordo com o grau de adiantamento em que vos encontrais. Portanto, não devemos revelar essas coisas a todos, visto que nem todos terão alcance de compreendê-las, e isso os perturbaria.
Comentários de Kardec: À medida que o Espírito se purifica, o corpo que o reveste se aproxima igualmente da natureza espírita. A matéria torna-se menos densa, ele não mais se arrasta em sofrimento pela superfície do solo, as necessidades físicas são menos grosseiras e os seres vivos não têm mais necessidade de se destruírem mutuamente para se alimentar. O Espírito é mais livre e, para atingir coisas distantes, tem percepções que nos são desconhecidas. Ele vê pelos olhos do corpo o que apenas pelo pensamento podemos imaginar.
A purificação dos Espíritos reflete-se na perfeição moral dos seres em que estão encarnados. As paixões brutais se enfraquecem e o egoísmo dá lugar a um sentimento fraternal. É desse modo que, nos mundos superiores à Terra, as guerras são desconhecidas, os ódios e as discórdias não têm motivo, porque ninguém pensa em fazer o mal a seu semelhante. A intuição que têm do futuro, a segurança que uma consciência livre de remorsos lhes dá, fazem com que a morte não lhes cause nenhuma apreensão, por isso a encaram sem temor e a compreendem como uma simples transformação.
A duração da vida nos diferentes mundos parece ser proporcional ao grau de superioridade física e moral desses mundos, e isso é perfeitamente racional. Quanto menos material é o corpo, menos está sujeito às alternâncias e instabilidades que o desorganizam. Quanto mais puro é o Espírito, mais livre das paixões que o destroem. Esse é ainda um benefício da Providência que, desse modo, abrevia os sofrimentos.
Belos ensinamentos! Apenas para concluir, então, vamos responder a questão proposta no início do post: pois é, ao que parece, não há o dever de se tornar vegetariano. Não faria sentido, aliás, impor isso a alguém: tiraria mesmo o mérito deste gesto de amor, que deve ser sempre uma opção individual.
Além disso, algumas pessoas, por suas características físicas, não podem ser vegetarianas; dependem mesmo, por orientação médica, do consumo esporádico ou habitual de proteína animal. Certamente, com o tempo, nossa Medicina evoluirá a ponto de suprir estas necessidades de pessoas específicas; até lá, elas não têm nem como considerar parar de comer carne.
As demais pessoas, sem qualquer impedimento ao vegetarianismo, no entanto, deveriam (idealmente) considerar essa alternativa com carinho. Nosso consumo desenfreado de animais vem ensejando uma série de verdadeiros horrores por parte da indústria, comparáveis aos perpetrados pelo nazismo nos campos de concentração (você provavelmente já viu algum vídeo a respeito).
Abandonar o consumo de carne seria, dos sacrifícios pessoais, um dos mais belos e meritórios, pois feito puramente em favor de nossos irmãozinhos (ou irmaozões) menos complexos, os animais. É uma questão evolutiva até: a moralidade terrestre parece caminhar neste sentido, há uma crescente tendência.
Quem ainda não pode ou não quer (por qualquer motivo) se adiantar ao seu tempo, virando vegetariano desde já, poderia, ao menos, defender a adoção de paliativos, em prol de um tratamento mais amoroso e respeitoso dos animais nos criadouros e nas casas de abate, tal como: o fim do confinamento, das mutilações, do abate violento/doloroso...
Mas essa questão de como tratar com mais amor os animais, hoje e já, e mesmo sem a adoção do vegetarianismo (embora isto parecesse o ideal), vamos explorar mais a fundo em nosso próximo post! Que Deus abençoe todos!
27 de set. de 2009
Os animais têm alma?
Em nosso post anterior, introduzimos o debate sobre o relacionamento entre humanos, animais e o Espiritismo, com a questão Humanos e animais: quem são os irracionais?
Hoje vamos retomar a bandeira do dever humano de proteger e respeitar todas as formas de vida, tanto as mais evoluídas, quanto as menos complexas, como ocorre no caso dos animais.
Mas temos que admitir que fazer isso não é lá muito fácil: como tratar com amor e respeito tudo o que tem vida, de bactérias a tubarões? Talvez até pareça ao leitor um tanto exagerado, equivocado, desnecessário... Mas será mesmo?
O Espiritismo diz que os animais estão aí, dentre outras coisas, para servir aos homens. São "inferiores" (dentro de uma escala de evolução e complexidade, como apontamos em nosso post anterior) e "submissos" ao homem, pois são os nossos "servidores inteligentes", sempre dispostos a nos ajudar.
Veja no Livro dos Espíritos, de Allan Kardec:
Mas até que ponto vai o nosso direito de nos servir dos animais? Nenhum direito é em si ilimitado; o exercício abusivo de qualquer direito é sempre condenável; e o mesmo vale para o direito de utilização dos animais em nosso favor. E isso consta também do Livro dos Espíritos:
Pois é, podemos nos utilizar dos animais, para satisfazer as nossas necessidades. Mas será que é só isso? Os animais estariam aí com a única finalidade de nos serem úteis? Por lógica já se suspeita que não, e o mesmo nos confirma o Livro dos Espíritos:
Ou seja, os animais também têm alma sim (!!), e seguem a lei de evolução progressiva e contínua, de modo que, tal como nós, estão aí para viverem, se melhorarem e "crescerem" como espíritos! Claro que, numa grande escala da vida, eles estão muito aquém da nossa evolução e complexidade, mas ei, não vamos esquecer que há também seres muito mais evoluídos e complexos que nós humanos, não? :)
Essa a beleza da criação divina! Talvez tenhamos começado como animais também, em formas de vida muito, muito rudimentares, e fomos progredindo! Por que não? O Livro dos Espíritos mesmo trata dessa possibilidade, nas questões 606 a 610, quando fala da origem comum do princípio inteligente presente tanto em humanos quanto em animais.
Então, resumindo, podemos nos servir dos animais sim, e até tirar sua vida em alguns casos, como quando a nossa segurança o exigir, por exemplo, e não houver uma alternativa viável.
Agora, havendo uma alternativa, ela será sempre preferível: sair matando todas as ameaças que apareciam era com certeza a única opção na época em que vivíamos em cavernas, mas hoje em dia podemos, dentre outras coisas, usar dardos tranqüilizantes em feras, passar repelentes contra insetos, colocar grades, cercas, isolar ameaças...
Claro, nem sempre há uma alternativa disponível, mas, havendo, parece ser ela a melhor opção. Isso seria, acreditamos, tratar com amor os animais, e de uma forma bastante realista: dependemos deles com certeza, precisamos nos utilizar destes nossos "servidores inteligentes", mas dentro dos limites do estritamente necessário, e com o menor prejuízo possível para eles; sempre de acordo com nossas possibilidades em cada época, local, desenvolvimento tecnológico, recursos, etc.
E a alimentação? Ser vegetariano é uma exigência de tratar com amor os animais? O que o Espiritismo nos fala a respeito? Sendo um tema bastante controverso, uma reflexão mais a fundo fica para o nosso próximo post! Fiquem todos com Deus, e até lá!
Hoje vamos retomar a bandeira do dever humano de proteger e respeitar todas as formas de vida, tanto as mais evoluídas, quanto as menos complexas, como ocorre no caso dos animais.
Mas temos que admitir que fazer isso não é lá muito fácil: como tratar com amor e respeito tudo o que tem vida, de bactérias a tubarões? Talvez até pareça ao leitor um tanto exagerado, equivocado, desnecessário... Mas será mesmo?
O Espiritismo diz que os animais estão aí, dentre outras coisas, para servir aos homens. São "inferiores" (dentro de uma escala de evolução e complexidade, como apontamos em nosso post anterior) e "submissos" ao homem, pois são os nossos "servidores inteligentes", sempre dispostos a nos ajudar.
Veja no Livro dos Espíritos, de Allan Kardec:
601 Os animais seguem uma lei progressiva, como os homens?
– Sim, por isso, nos mundos superiores, onde os homens são mais avançados, os animais também o são, tendo meios de comunicação mais desenvolvidos; mas são sempre inferiores e submissos ao homem, são para ele servidores inteligentes.
Mas até que ponto vai o nosso direito de nos servir dos animais? Nenhum direito é em si ilimitado; o exercício abusivo de qualquer direito é sempre condenável; e o mesmo vale para o direito de utilização dos animais em nosso favor. E isso consta também do Livro dos Espíritos:
734 Em seu estado atual, o homem tem direito ilimitado de destruição sobre os animais?
– Esse direito é regido pela necessidade de prover a sua alimentação e segurança. O abuso nunca foi um direito.
735 O que pensar da destruição que ultrapassa os limites das necessidades e da segurança? Da caça, por exemplo, quando tem por objetivo apenas o prazer de destruir sem utilidade?
– Predominância dos maus instintos sobre a natureza espiritual. Toda destruição que ultrapassa os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais destroem apenas de acordo com suas necessidades; mas o homem, que tem o livre-arbítrio, destrói sem necessidade; ele deverá prestar contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, porque cede aos maus instintos.
Pois é, podemos nos utilizar dos animais, para satisfazer as nossas necessidades. Mas será que é só isso? Os animais estariam aí com a única finalidade de nos serem úteis? Por lógica já se suspeita que não, e o mesmo nos confirma o Livro dos Espíritos:
593 Pode-se dizer que os animais agem apenas por instinto?
– Ainda assim é um sistema. É bem verdade que o instinto domina na maioria dos animais, mas não vedes que muitos agem com uma vontade determinada? É inteligência, porém limitada.
595 Os animais têm o livre-arbítrio de seus atos?
– Eles não são simples máquinas, como se pode supor; mas sua liberdade de ação é limitada às suas necessidades e não se pode comparar à do homem. Sendo muito inferiores ao homem, não têm os mesmos deveres. Sua liberdade é restrita aos atos da vida material.
597 Se os animais têm uma inteligência que lhes dá uma certa liberdade de ação, há neles um princípio independente da matéria?
– Sim, e que sobrevive ao corpo.
597 a Esse princípio é uma alma semelhante à do homem?
– É também uma alma, se quiserdes, depende do sentido que se dá a essa palavra; mas é inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem tanta distância quanto há entre a alma do homem e Deus.
Ou seja, os animais também têm alma sim (!!), e seguem a lei de evolução progressiva e contínua, de modo que, tal como nós, estão aí para viverem, se melhorarem e "crescerem" como espíritos! Claro que, numa grande escala da vida, eles estão muito aquém da nossa evolução e complexidade, mas ei, não vamos esquecer que há também seres muito mais evoluídos e complexos que nós humanos, não? :)
Essa a beleza da criação divina! Talvez tenhamos começado como animais também, em formas de vida muito, muito rudimentares, e fomos progredindo! Por que não? O Livro dos Espíritos mesmo trata dessa possibilidade, nas questões 606 a 610, quando fala da origem comum do princípio inteligente presente tanto em humanos quanto em animais.
Então, resumindo, podemos nos servir dos animais sim, e até tirar sua vida em alguns casos, como quando a nossa segurança o exigir, por exemplo, e não houver uma alternativa viável.
Agora, havendo uma alternativa, ela será sempre preferível: sair matando todas as ameaças que apareciam era com certeza a única opção na época em que vivíamos em cavernas, mas hoje em dia podemos, dentre outras coisas, usar dardos tranqüilizantes em feras, passar repelentes contra insetos, colocar grades, cercas, isolar ameaças...
Claro, nem sempre há uma alternativa disponível, mas, havendo, parece ser ela a melhor opção. Isso seria, acreditamos, tratar com amor os animais, e de uma forma bastante realista: dependemos deles com certeza, precisamos nos utilizar destes nossos "servidores inteligentes", mas dentro dos limites do estritamente necessário, e com o menor prejuízo possível para eles; sempre de acordo com nossas possibilidades em cada época, local, desenvolvimento tecnológico, recursos, etc.
E a alimentação? Ser vegetariano é uma exigência de tratar com amor os animais? O que o Espiritismo nos fala a respeito? Sendo um tema bastante controverso, uma reflexão mais a fundo fica para o nosso próximo post! Fiquem todos com Deus, e até lá!
24 de set. de 2009
Humanos e animais: quem são os irracionais?
Dando, de certa forma, alguma continuidade ao que tratamos nos posts anteriores, a respeito do relacionamento entre humanos e outros seres em igual ou superior nível de complexidade (veja em Você acredita em vida fora da Terra? e Devemos mesmo matar aliens?), hoje falaremos de humanos e seres menos complexos, os animais.
Há quem fale em seres "irracionais", mas irracional parece ser chamá-los desse modo, já que não faltam exemplos nem de animais com uma racionalidade surpreendente (veja o caso dos chimpanzés, os primatas mais próximos do homem; ou o dos golfinhos), nem de animais com valores morais que superam de longe o de muitos humanos (veja a tocante história do Leão Christian e seus "pais"; e outros belos exemplos que nos dão os animais, alguns deles nos vídeos relacionados a este do leão).
Por outro lado, não faltam exemplos de irracionalidades e imoralidades humanas. Não tem paralelo com o mundo animal o extermínio em massa que os humanos fizeram e fazem um dos outros, sendo o genocídio dos momentos de guerra talvez a nossa estupidez mais gritante.
Assim, difícil conceituar os animais, já que eles não são irracionais, nem necessariamente menos evoluídos em questões morais que nós, humanos. Mas é claro que, de modo geral, tendemos a ser mais evoluídos tanto no campo racional quanto no moral, a começar pelo fato de que pensamos e criticamos o nosso agir a todo instante, visando à nossa melhoria e progresso, numa atividade consciente.
Então talvez seja melhor conceber uma escala evolutiva da vida, em crescentes graus de desenvolvimento de consciência/espírito (em termos de complexidade; não de racionalidade ou moralidade), começando com as bactérias mais simples (ou talvez com os vírus, embora muito questionado se são uma forma de vida ou não), e terminando com a forma de vida mais complexa que houver; e então colocar os humanos um pouco à frente dos animais terrestres em geral, mas definitivamente não na ponta desta escala, no ápice da evolução, pois com certeza há seres infinitamente mais complexos que nós, dentre os nossos amigos de outros planetas.
E é por isto que parece mais adequado tratar dos animais simplesmente como seres menos complexos, não muito diferentes de nós, apenas um pouco menos avançados numa escala de complexidade da vida; nada de "seres irracionais".
Como se vê, todas estas considerações implicam em reconhecer que não somos os seres supremos, no topo da cadeia evolutiva, posição que por tanto tempo supomos ocupar. Não, na grande escala da vida, dos seres menos aos mais complexos, todos obras divinas, talvez não estejamos nem no meio do caminho.
Se não conseguimos tratar com amor e respeito nem os nossos semelhantes, e menos ainda os nossos irmãos mais evoluídos, que dirá dos animais, nossos companheiros menos complexos? Temos uma responsabilidade ainda maior com eles, por estarmos um pouquinho à sua frente... Mas, no geral, lamentavelmente, tendemos a usar este "poder" em nosso favor, e não em prol deles.
É um péssimo hábito humano o de abusar dos poderes que nos são concedidos, usando-os para obter a máxima satisfação de nossas necessidades imediatas, ao invés de exercê-los com responsabilidade, como todo poder em tese exige.
Mas, ver isto mais a fundo, dentro da questão do relacionamento entre humanos e animais, e o que diz o Espiritismo a respeito, fica para o próximo post! :)
Há quem fale em seres "irracionais", mas irracional parece ser chamá-los desse modo, já que não faltam exemplos nem de animais com uma racionalidade surpreendente (veja o caso dos chimpanzés, os primatas mais próximos do homem; ou o dos golfinhos), nem de animais com valores morais que superam de longe o de muitos humanos (veja a tocante história do Leão Christian e seus "pais"; e outros belos exemplos que nos dão os animais, alguns deles nos vídeos relacionados a este do leão).
Por outro lado, não faltam exemplos de irracionalidades e imoralidades humanas. Não tem paralelo com o mundo animal o extermínio em massa que os humanos fizeram e fazem um dos outros, sendo o genocídio dos momentos de guerra talvez a nossa estupidez mais gritante.
Assim, difícil conceituar os animais, já que eles não são irracionais, nem necessariamente menos evoluídos em questões morais que nós, humanos. Mas é claro que, de modo geral, tendemos a ser mais evoluídos tanto no campo racional quanto no moral, a começar pelo fato de que pensamos e criticamos o nosso agir a todo instante, visando à nossa melhoria e progresso, numa atividade consciente.
Então talvez seja melhor conceber uma escala evolutiva da vida, em crescentes graus de desenvolvimento de consciência/espírito (em termos de complexidade; não de racionalidade ou moralidade), começando com as bactérias mais simples (ou talvez com os vírus, embora muito questionado se são uma forma de vida ou não), e terminando com a forma de vida mais complexa que houver; e então colocar os humanos um pouco à frente dos animais terrestres em geral, mas definitivamente não na ponta desta escala, no ápice da evolução, pois com certeza há seres infinitamente mais complexos que nós, dentre os nossos amigos de outros planetas.
E é por isto que parece mais adequado tratar dos animais simplesmente como seres menos complexos, não muito diferentes de nós, apenas um pouco menos avançados numa escala de complexidade da vida; nada de "seres irracionais".
Como se vê, todas estas considerações implicam em reconhecer que não somos os seres supremos, no topo da cadeia evolutiva, posição que por tanto tempo supomos ocupar. Não, na grande escala da vida, dos seres menos aos mais complexos, todos obras divinas, talvez não estejamos nem no meio do caminho.
Se não conseguimos tratar com amor e respeito nem os nossos semelhantes, e menos ainda os nossos irmãos mais evoluídos, que dirá dos animais, nossos companheiros menos complexos? Temos uma responsabilidade ainda maior com eles, por estarmos um pouquinho à sua frente... Mas, no geral, lamentavelmente, tendemos a usar este "poder" em nosso favor, e não em prol deles.
É um péssimo hábito humano o de abusar dos poderes que nos são concedidos, usando-os para obter a máxima satisfação de nossas necessidades imediatas, ao invés de exercê-los com responsabilidade, como todo poder em tese exige.
Mas, ver isto mais a fundo, dentro da questão do relacionamento entre humanos e animais, e o que diz o Espiritismo a respeito, fica para o próximo post! :)
22 de set. de 2009
Devemos mesmo matar "aliens"?
Embora o título da mensagem de hoje pareça à primeira vista uma brincadeira, trata-se, em verdade, de algo muito sério. Se o caro leitor ainda vê com estranheza ou acha graça no assunto "alienígenas", recomendaríamos, antes de mais nada, a leitura de nosso post anterior: Você acredita em vida fora da Terra? ;)
Mas é natural que se estranhe ou ache engraçado o presente título: o assunto "aliens" ainda está essencialmente relegado ao campo da ficção científica, sendo explorado quase que exclusivamente em quadrinhos, filmes, jogos...
E, na maioria dessas obras artísticas, o mote é quase sempre o mesmo: extraterrestres malignos resolvem invadir a Terra, com naves super avançadas, para exterminar ou escravizar a humanidade, que então se defende como pode, reagindo com a máxima violência, por meio de batalhas e mais batalhas terrestres e siderais, por fim vencendo a guerra, ou então sucumbindo à "ameaça" alienígena.
A vida fora da Terra, defendida pelo Espiritismo desde 1857, hoje até vem sendo estudada cientificamente (de novo, vide nosso post anterior), porém a cultura geral ainda é de medo (e violência) ante os grandes desconhecidos que são nossos irmãos de outros planetas.
Tal medo não é de todo injustificável: veja, por exemplo, a Operação Prato, do final dos anos 1970, amplamente documentada pelas nossas Forças Armadas -- documentos, aliás, já obtidos diretamente das autoridades brasileiras, pela louvável campanha UFOs: Liberdade de Informação Já. Sondas oriundas de naves espaciais teriam perseguido, aterrorizado e até causado queimaduras em algumas dezenas de pessoas em Colares - PA, por meio de luzes emitidas em sua direção (quem sabe por alguma espécie de scanner mal concebido, pois evidentemente lesivo).
Talvez os alienígenas não sejam todos bons e moralmente mais evoluídos que os humanos... E isso não deve causar muita surpresa, afinal não é muito diferente do que ocorre atualmente entre nós mesmos, uma massa disforme de mais de 6 bilhões de pessoas, em variadíssimos graus de evolução moral: há humanos de todos os "tipos", por assim dizer; e o mesmo supõe-se (por lógica) ser aplicável aos nossos irmãos de outras moradas.
Nosso medo ante o desconhecido, o novo, entretanto, é um mal a ser combatido, pois costuma levar a respostas irracionais e atos de violência inomináveis. É um mal que acompanha a humanidade desde sempre: até pouco tempo atrás, jogávamos na fogueira, ou simplesmente guilhotinávamos quem pensava diferente; um pouco depois, criamos o genocídio, a industrialização do extermínio dos diferentes, nos campos de concentração; e mesmo hoje, os crimes de ódio estão em todo lugar...
Pensava que isso só acontecia com humanos, no entanto? Pense de novo... Veja, por exemplo, qual foi a primeira reação de um grupo de jovens panamenhos entre 14 e 16 anos, recentemente, ao se depararem com um animal desconhecido, que eles pensaram ser um alienígena: apedrejaram-no até a morte. (aparentemente, não passa de um bicho-preguiça, segundo G1 e UFO)
No Caso Varginha mesmo, supondo-se verdadeiros os relatos (de pessoas sérias, ressalte-se) de que ao menos uma nave espacial teria caído por lá, e quatro ou mais tripulantes teriam sido perseguidos, capturados, mortos, dissecados e estudados em laboratório por nossos militares... Poxa, será esse o tipo de reação que gostaríamos para nós mesmos quando, daqui a algumas décadas quem sabe, estivermos a visitar outros planetas, outras civilizações?
E, por outro lado: será que não acabaremos fazendo igual aos alienígenas relatados na Operação Prato, passando por cima da ética e do bem-estar alheio, aterrorizando e lesionando seres dos planetas que visitarmos, em nome do progresso científico?
É só ver o que já fazemos hoje com os animais do nosso planeta mesmo, submetidos a toda sorte de horrores em laboratórios, em prol dos avanços (a qualquer custo) da Ciência, que talvez pudessem ser obtidos por outros meios, ou com menos sofrimentos para as cobaias...
Ninguém precisa ser espírita ou cristão para entender este que é hoje um dos ensinamentos morais mais primordiais de qualquer doutrina, religião ou crença minimamente séria: não fazer aos outros aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco. Consta do Livro dos Espíritos de Allan Kardec, por exemplo:
Como se vê, já passou (e muito) da hora de desenvolvermos uma ética e uma noção de dignidade não apenas para os humanos, mas para toda forma de vida. A questão dos animais fica para outro post, pois é um tema talvez até mais controverso.
Mas que dizer de "humanóides" ao menos, nossos irmãos de outros planetas em nível de evolução no mínimo semelhante ao nosso? Podemos simplesmente persegui-los, matá-los, dissecá-los em laboratório? Como não gostaríamos muito de sermos assim tratados por eles, por lógica se conclui que não; e o mesmo nos ensina o Espiritismo, a moral cristã, e talvez mesmo quase toda doutrina ou religião séria.
Já não teria, então, chegado a hora de pararmos de retratar aliens como os grandes invasores, com os quais estaríamos predestinados a ter guerras espaciais infindáveis? Ok, Star Wars é mesmo muito divertido, talvez uma das séries mais adoradas do mundo todo; mas que tal começarmos a deixar o "Wars" só para a ficção mesmo, arranjando, para a realidade, algo algo muito mais respeitoso, amoroso... Quem sabe Star Friends? Pense nisso! ;)
Mas é natural que se estranhe ou ache engraçado o presente título: o assunto "aliens" ainda está essencialmente relegado ao campo da ficção científica, sendo explorado quase que exclusivamente em quadrinhos, filmes, jogos...
E, na maioria dessas obras artísticas, o mote é quase sempre o mesmo: extraterrestres malignos resolvem invadir a Terra, com naves super avançadas, para exterminar ou escravizar a humanidade, que então se defende como pode, reagindo com a máxima violência, por meio de batalhas e mais batalhas terrestres e siderais, por fim vencendo a guerra, ou então sucumbindo à "ameaça" alienígena.
A vida fora da Terra, defendida pelo Espiritismo desde 1857, hoje até vem sendo estudada cientificamente (de novo, vide nosso post anterior), porém a cultura geral ainda é de medo (e violência) ante os grandes desconhecidos que são nossos irmãos de outros planetas.
Tal medo não é de todo injustificável: veja, por exemplo, a Operação Prato, do final dos anos 1970, amplamente documentada pelas nossas Forças Armadas -- documentos, aliás, já obtidos diretamente das autoridades brasileiras, pela louvável campanha UFOs: Liberdade de Informação Já. Sondas oriundas de naves espaciais teriam perseguido, aterrorizado e até causado queimaduras em algumas dezenas de pessoas em Colares - PA, por meio de luzes emitidas em sua direção (quem sabe por alguma espécie de scanner mal concebido, pois evidentemente lesivo).
Talvez os alienígenas não sejam todos bons e moralmente mais evoluídos que os humanos... E isso não deve causar muita surpresa, afinal não é muito diferente do que ocorre atualmente entre nós mesmos, uma massa disforme de mais de 6 bilhões de pessoas, em variadíssimos graus de evolução moral: há humanos de todos os "tipos", por assim dizer; e o mesmo supõe-se (por lógica) ser aplicável aos nossos irmãos de outras moradas.
Nosso medo ante o desconhecido, o novo, entretanto, é um mal a ser combatido, pois costuma levar a respostas irracionais e atos de violência inomináveis. É um mal que acompanha a humanidade desde sempre: até pouco tempo atrás, jogávamos na fogueira, ou simplesmente guilhotinávamos quem pensava diferente; um pouco depois, criamos o genocídio, a industrialização do extermínio dos diferentes, nos campos de concentração; e mesmo hoje, os crimes de ódio estão em todo lugar...
Pensava que isso só acontecia com humanos, no entanto? Pense de novo... Veja, por exemplo, qual foi a primeira reação de um grupo de jovens panamenhos entre 14 e 16 anos, recentemente, ao se depararem com um animal desconhecido, que eles pensaram ser um alienígena: apedrejaram-no até a morte. (aparentemente, não passa de um bicho-preguiça, segundo G1 e UFO)
No Caso Varginha mesmo, supondo-se verdadeiros os relatos (de pessoas sérias, ressalte-se) de que ao menos uma nave espacial teria caído por lá, e quatro ou mais tripulantes teriam sido perseguidos, capturados, mortos, dissecados e estudados em laboratório por nossos militares... Poxa, será esse o tipo de reação que gostaríamos para nós mesmos quando, daqui a algumas décadas quem sabe, estivermos a visitar outros planetas, outras civilizações?
E, por outro lado: será que não acabaremos fazendo igual aos alienígenas relatados na Operação Prato, passando por cima da ética e do bem-estar alheio, aterrorizando e lesionando seres dos planetas que visitarmos, em nome do progresso científico?
É só ver o que já fazemos hoje com os animais do nosso planeta mesmo, submetidos a toda sorte de horrores em laboratórios, em prol dos avanços (a qualquer custo) da Ciência, que talvez pudessem ser obtidos por outros meios, ou com menos sofrimentos para as cobaias...
Ninguém precisa ser espírita ou cristão para entender este que é hoje um dos ensinamentos morais mais primordiais de qualquer doutrina, religião ou crença minimamente séria: não fazer aos outros aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco. Consta do Livro dos Espíritos de Allan Kardec, por exemplo:
876 Fora do direito consagrado pela lei humana, qual é a base da justiça fundada sobre a lei natural?
– O Cristo disse: “Não façais aos outros o que não quereis que vos façam”. Deus colocou no coração do homem a regra de toda a verdadeira justiça pelo desejo que cada um tem de ver respeitados os seus direitos. Na incerteza do que fazer em relação ao semelhante numa determinada circunstância, o homem deve perguntar-se como desejaria que se fizesse com ele na mesma circunstância: Deus não poderia lhe dar um guia mais seguro do que a própria consciência.
Comentário de Kardec: O critério da verdadeira justiça é, de fato, desejar aos outros o que se deseja para si mesmo, e não desejar para si o que se desejaria para os outros, o que não é a mesma coisa. Como não é natural desejar o mal para si, se tomarmos o desejo pessoal como norma e ponto de partida, estaremos sempre certos de apenas desejar o bem para o próximo. Em todos os tempos e todas as crenças, o homem tem sempre procurado fazer prevalecer seu direito pessoal. A sublimidade da religião cristã foi tomar o direito pessoal por base do direito do próximo.
Como se vê, já passou (e muito) da hora de desenvolvermos uma ética e uma noção de dignidade não apenas para os humanos, mas para toda forma de vida. A questão dos animais fica para outro post, pois é um tema talvez até mais controverso.
Mas que dizer de "humanóides" ao menos, nossos irmãos de outros planetas em nível de evolução no mínimo semelhante ao nosso? Podemos simplesmente persegui-los, matá-los, dissecá-los em laboratório? Como não gostaríamos muito de sermos assim tratados por eles, por lógica se conclui que não; e o mesmo nos ensina o Espiritismo, a moral cristã, e talvez mesmo quase toda doutrina ou religião séria.
Já não teria, então, chegado a hora de pararmos de retratar aliens como os grandes invasores, com os quais estaríamos predestinados a ter guerras espaciais infindáveis? Ok, Star Wars é mesmo muito divertido, talvez uma das séries mais adoradas do mundo todo; mas que tal começarmos a deixar o "Wars" só para a ficção mesmo, arranjando, para a realidade, algo algo muito mais respeitoso, amoroso... Quem sabe Star Friends? Pense nisso! ;)
20 de set. de 2009
Você acredita em vida fora da Terra?
Talvez os caros leitores não acreditem em vida para além da Terra. Bom, mas até aí, talvez nem todos acreditem sequer em vida após a morte, não é verdade? Mas assim como não parece lá muito lógico que a vida se resuma a uma única existência carnal, sem a possibilidade de aprendizado contínuo e evolutivo, também não parece resistir ao crivo da lógica a idéia de que a Terra seja o único planeta dotado de vida.
A Terra é, sem dúvida, o único local habitado que sabemos com certeza ter vida, afinal, estamos aqui; no entanto, as provas da possibilidade fortíssima de haver vida em muitos outros lugares estão em todo lugar: Astrônomos acharam sinais de matéria orgânica em outro planeta; meteoros caem aos montes com vários compostos orgânicos essenciais à vida, sendo talvez o mais famoso deles o meteorito de Murchison; e, nem precisando ir tão longe, a Terra mesmo nos mostra que a vida existe também nos locais mais inóspitos e sob as condições mais hostis, como se vê no caso das formas de vida extremófilas...
(Achou interessante? Leia mais sobre esses incríveis seres que vivem em vulcões, ou em quilômetros e mais quilômetros de profundidade nos oceanos no artigo sobre extremófilas na Wikipedia americana, e mais sobre os estudos científicos sobre a vida fora da terra em Astrobiologia; tem muita coisa legal).
Mas o mais curioso de tudo é que, também neste ponto, o Espiritismo mostra o quanto estava (e ainda está) à frente de nossos tempos: já em 1857 Allan Kardec esclarecia, no Livro dos Espíritos, com a ajuda dos espíritos, a respeito da existência de vida fora da Terra, nas "muitas moradas" de nosso Pai:
Vejam só, caros leitores, como um ensinamento dado pelos espíritos em 1857, há um século e meio, ainda é sumariamente ignorado pela maior parte da humanidade, em grande parte pelo orgulho e vaidade de nos sentirmos o centro do universo, sentimento que nos inebria e nos oculta a visão desde sempre, remontando às nossas (estapafúrdias) idéias do Geocentrismo (a Terra seria o centro do Universo) e às do Antropocentrismo (o Homem é que seria o "centro" do Universo, embora num sentido figurado)...
Antes tarde que nunca, a Ciência vem comprovando ensinamentos espíritas de longa data, e o mesmo tem acontecido neste caso da vida fora da Terra, nos campos de pesquisa que mencionamos no início do post.
Algumas pessoas, no entanto, nunca precisaram de tal tipo de comprovação para crer na vida em todo lugar, simplesmente porque submeteram ao crivo da lógica a seguinte questão: sabendo que há vida na Terra, e que a vida é tão versátil que surge mesmo nos lugares mais inesperados; e na ausência de prova definitiva a respeito de vida alienígena, faz mais sentido acreditar que não há vida em nenhum outro lugar, até prova em contrário (e sempre fugindo da busca sincera por essa prova), ou então crer que é mais provável que a vida exista em muitos lugares diversos, até que se prove o oposto?
É uma questão de ponto de partida: o mais lógico seria partir do pressuposto que a vida só existe na Terra, ou que ela deve existir em outros lugares também? Se você ainda não acredita nisso, recomendaríamos, com carinho, pensar um pouco a respeito.
E se já consegue acreditar, nem que seja na mera possibilidade de vida fora daqui, sugeriríamos então um próximo passo, caso ainda não creia na vida após a morte: faz algum sentido, parece minimamente lógico, racional, que a vida seja um fenômeno espontâneo (e não criado por uma Força Maior), surgido do mero acaso, para uma única existência carnal, repleta de prazeres puramente carnais, e tendo por objetivo tão-somente a maior satisfação possível dos desejos materiais?
Faz algum sentindo conceber que mais de 6 bilhões de seres tenham surgido do nada para o nada, sem qualquer propósito maior que o de viver uma única vida, uma única existência, para a busca dos prazeres supérfluos a qualquer custo, não importando ninguém mais além de si próprio, já que não se teria que pensar em responsabilidades para depois dessa única (e brevíssima) vida? Fica aqui o convite (amigável) para uma profunda reflexão a respeito disto também... ;)
No próximo post, falaremos sobre uma questão de respeito ao próximo, de modo bastante amplo, pois vamos partir das considerações de hoje, sobre vida fora da Terra!
A Terra é, sem dúvida, o único local habitado que sabemos com certeza ter vida, afinal, estamos aqui; no entanto, as provas da possibilidade fortíssima de haver vida em muitos outros lugares estão em todo lugar: Astrônomos acharam sinais de matéria orgânica em outro planeta; meteoros caem aos montes com vários compostos orgânicos essenciais à vida, sendo talvez o mais famoso deles o meteorito de Murchison; e, nem precisando ir tão longe, a Terra mesmo nos mostra que a vida existe também nos locais mais inóspitos e sob as condições mais hostis, como se vê no caso das formas de vida extremófilas...
(Achou interessante? Leia mais sobre esses incríveis seres que vivem em vulcões, ou em quilômetros e mais quilômetros de profundidade nos oceanos no artigo sobre extremófilas na Wikipedia americana, e mais sobre os estudos científicos sobre a vida fora da terra em Astrobiologia; tem muita coisa legal).
Mas o mais curioso de tudo é que, também neste ponto, o Espiritismo mostra o quanto estava (e ainda está) à frente de nossos tempos: já em 1857 Allan Kardec esclarecia, no Livro dos Espíritos, com a ajuda dos espíritos, a respeito da existência de vida fora da Terra, nas "muitas moradas" de nosso Pai:
FORMAÇÃO DOS MUNDOS
O universo abrange a infinidade dos mundos que vemos e aqueles que não vemos, todos os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço e os fluidos que o preenchem.
FORMAÇÃO DOS SERES VIVOS
43 Quando a Terra começou a ser povoada?
– No início tudo era o caos, os elementos estavam desordenados. Pouco a pouco, cada coisa tomou seu lugar. Então apareceram os seres vivos apropriados ao estado do globo.
44 De onde vieram os seres vivos da Terra?
– A Terra continha os germes que aguardavam o momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se agregaram desde que cessou a força que os mantinha separados, e eles formaram os germes de todos os seres vivos. Aqueles germes ficaram em estado latente, de inércia, como a crisálida e as sementes das plantas, até chegar o momento propício para o aparecimento de cada espécie. Então os seres de cada espécie se reuniram e se multiplicaram.
45 Onde estavam os elementos orgânicos antes da formação da Terra?
– Eles se encontravam, por assim dizer, no estado de fluido no espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, à espera da criação da Terra para começar uma nova existência em um novo globo.
PLURALIDADE DOS MUNDOS
55 Todos os globos que circulam no espaço são habitados?
– Sim, e o homem da Terra está longe de ser, como pensa, o primeiro em inteligência, bondade e perfeição. Entretanto, há homens que se julgam superiores a tudo e imaginam que somente este pequeno globo tem o privilégio de ter seres racionais. Orgulho e vaidade! Acreditam que Deus criou o universo só para eles.
56 A constituição física dos diferentes globos é a mesma?
– Não. Não se assemelham em nada.
57 Como a constituição física dos mundos não é a mesma, podemos concluir que os seres que os habitam têm corpos e uma organização diferente?
– Sem dúvida, como entre vós os peixes são feitos para viver na água e os pássaros, no ar.
58 Os mundos mais afastados do Sol são privados da luz e do calor, já que o Sol apenas se mostra para eles com a aparência de uma estrela?
– Acreditais então que não há outras fontes de luz e de calor além do Sol, e não considerais o valor e a importância da eletricidade que, em alguns mundos, desempenha um papel que vos é desconhecido e muito mais importante do que na Terra? Aliás, já dissemos que os seres desses mundos não são nem da mesma matéria nem têm os órgãos dispostos como os vossos.
Vejam só, caros leitores, como um ensinamento dado pelos espíritos em 1857, há um século e meio, ainda é sumariamente ignorado pela maior parte da humanidade, em grande parte pelo orgulho e vaidade de nos sentirmos o centro do universo, sentimento que nos inebria e nos oculta a visão desde sempre, remontando às nossas (estapafúrdias) idéias do Geocentrismo (a Terra seria o centro do Universo) e às do Antropocentrismo (o Homem é que seria o "centro" do Universo, embora num sentido figurado)...
Antes tarde que nunca, a Ciência vem comprovando ensinamentos espíritas de longa data, e o mesmo tem acontecido neste caso da vida fora da Terra, nos campos de pesquisa que mencionamos no início do post.
Algumas pessoas, no entanto, nunca precisaram de tal tipo de comprovação para crer na vida em todo lugar, simplesmente porque submeteram ao crivo da lógica a seguinte questão: sabendo que há vida na Terra, e que a vida é tão versátil que surge mesmo nos lugares mais inesperados; e na ausência de prova definitiva a respeito de vida alienígena, faz mais sentido acreditar que não há vida em nenhum outro lugar, até prova em contrário (e sempre fugindo da busca sincera por essa prova), ou então crer que é mais provável que a vida exista em muitos lugares diversos, até que se prove o oposto?
É uma questão de ponto de partida: o mais lógico seria partir do pressuposto que a vida só existe na Terra, ou que ela deve existir em outros lugares também? Se você ainda não acredita nisso, recomendaríamos, com carinho, pensar um pouco a respeito.
E se já consegue acreditar, nem que seja na mera possibilidade de vida fora daqui, sugeriríamos então um próximo passo, caso ainda não creia na vida após a morte: faz algum sentido, parece minimamente lógico, racional, que a vida seja um fenômeno espontâneo (e não criado por uma Força Maior), surgido do mero acaso, para uma única existência carnal, repleta de prazeres puramente carnais, e tendo por objetivo tão-somente a maior satisfação possível dos desejos materiais?
Faz algum sentindo conceber que mais de 6 bilhões de seres tenham surgido do nada para o nada, sem qualquer propósito maior que o de viver uma única vida, uma única existência, para a busca dos prazeres supérfluos a qualquer custo, não importando ninguém mais além de si próprio, já que não se teria que pensar em responsabilidades para depois dessa única (e brevíssima) vida? Fica aqui o convite (amigável) para uma profunda reflexão a respeito disto também... ;)
No próximo post, falaremos sobre uma questão de respeito ao próximo, de modo bastante amplo, pois vamos partir das considerações de hoje, sobre vida fora da Terra!
17 de set. de 2009
O orkut, a sorte de hoje e suas mensagens inspiradas
Você provavelmente conhece a "sorte de hoje", uma pequena mensagem positiva que aparece na página inicial dos usuários do orkut, logo abaixo das "visualizações de perfil":
Pois é, de uns tempos para cá, as "sortes de hoje" deixaram de ser repetitivas e um tanto (com o perdão da franqueza) sem graça mesmo, como eram antes! Muito pelo contrário, as "sortes" que o orkut agora tem colocado não apenas costumam mostrar um inspirado bom-humor, como também transmitem, por vezes, belas e positivas mensagens!
Veja algumas das mais legais que têm aparecido:
Estas mensagens, não se filiando necessariamente a doutrina, crença ou religião alguma, cumprem aquilo que, no fundo, toda orientação religiosa/espiritual busca (ou deveria buscar): espalhar bons valores, respeito ao próximo, amor, paz, entendimento, caridade... Fantástico, não é?
Esta última "sorte de hoje" que mencionamos ("A melhor maneira de se encontrar é se perder em benefício de outros"), por exemplo, tem tudo a ver com o tema de um post recente nosso: Precisando de uma ajudinha?.
É de se louvar essa iniciativa do orkut, de não apenas salvar a "sorte de hoje" do limbo (de repetição e pouca criatividade) em que se encontrava, como também aproveitá-la para ajudar a envolver as pessoas em bons sentimentos, valores positivos, sem se filiar a qualquer credo (e, assim, evitando ofender qualquer sentimento das pessoas, permitindo atingir seus valores morais sem se deixar barrar pelos preconceitos que elas eventualmente tenham contra esta ou aquela crença/doutrina).
E isso é absolutamente divino, uma prática louvável do ponto de vista de todos aqueles que gostariam de ver uma humanidade mais repleta de amor e caridade, independente da bandeira religiosa ou doutrinária adotada. E o Espiritismo, justamente por não se pretender colocar como a única doutrina, a melhor ou a mais verdadeira, só tem a ver com bons olhos esse tipo de iniciativa!
Espalhar o amor e a caridade, sob qualquer aparência "formal" que seja, é um dos fins maiores (senão o fim maior mesmo) do Espiritismo, não é verdade? Consta do Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, por exemplo:
Então, sejamos justos: o orkut pode ter uma série de falhas, pode servir (como toda ferramenta, aliás) para a prática de atos positivos ou nocivos, mas isso não diminui em nada o valor do belo trabalho que eles têm feito com as tais "sortes de hoje"!
E, claro, nem todas elas são inspiradas ou divertidas, mas, de modo geral, seu conteúdo é algo a ser louvado! Parabéns, orkut, e muito boa sorte na sua divulgação do Amor! :)
Pois é, de uns tempos para cá, as "sortes de hoje" deixaram de ser repetitivas e um tanto (com o perdão da franqueza) sem graça mesmo, como eram antes! Muito pelo contrário, as "sortes" que o orkut agora tem colocado não apenas costumam mostrar um inspirado bom-humor, como também transmitem, por vezes, belas e positivas mensagens!
Veja algumas das mais legais que têm aparecido:
Sorte de hoje: Faça uma boa ação por alguém hoje
Sorte de hoje: Beleza sem virtude é como uma rosa sem fragrância
Sorte de hoje: Tentar e errar, mas não desistir de tentar
Sorte de hoje: Se o destino diz que você é um perdedor, pregue uma boa peça nele
Sorte de hoje: Uma promessa feita é uma dívida não paga
Sorte de hoje: Se você quer ser amado, seja amável
Sorte de hoje: Não tenha medo de ir devagar; só tenha medo de ficar parado
Sorte de hoje: O amor conquista tudo!
Sorte de hoje: Sua vida é limitada. Não perca tempo vivendo a vida de outra pessoa
Sorte de hoje: O silêncio oportuno é mais eloqüente do que o discurso
Sorte de hoje: Nunca desestimule alguém que evolui, não importa quão lenta seja a evolução
Sorte de hoje: Trabalhe bastante para ser reconhecido por seus talentos
Sorte de hoje: Um ato de bondade, mesmo que seja pequeno, nunca é em vão
Sorte de hoje: Procure viver pela paz, não por conflitos
Sorte de hoje: Olho por olho e o mundo acabará cego
Sorte de hoje: Devemos ser a mudança que queremos ver
Sorte de hoje: A melhor maneira de se encontrar é se perder em benefício de outros
Estas mensagens, não se filiando necessariamente a doutrina, crença ou religião alguma, cumprem aquilo que, no fundo, toda orientação religiosa/espiritual busca (ou deveria buscar): espalhar bons valores, respeito ao próximo, amor, paz, entendimento, caridade... Fantástico, não é?
Esta última "sorte de hoje" que mencionamos ("A melhor maneira de se encontrar é se perder em benefício de outros"), por exemplo, tem tudo a ver com o tema de um post recente nosso: Precisando de uma ajudinha?.
É de se louvar essa iniciativa do orkut, de não apenas salvar a "sorte de hoje" do limbo (de repetição e pouca criatividade) em que se encontrava, como também aproveitá-la para ajudar a envolver as pessoas em bons sentimentos, valores positivos, sem se filiar a qualquer credo (e, assim, evitando ofender qualquer sentimento das pessoas, permitindo atingir seus valores morais sem se deixar barrar pelos preconceitos que elas eventualmente tenham contra esta ou aquela crença/doutrina).
E isso é absolutamente divino, uma prática louvável do ponto de vista de todos aqueles que gostariam de ver uma humanidade mais repleta de amor e caridade, independente da bandeira religiosa ou doutrinária adotada. E o Espiritismo, justamente por não se pretender colocar como a única doutrina, a melhor ou a mais verdadeira, só tem a ver com bons olhos esse tipo de iniciativa!
Espalhar o amor e a caridade, sob qualquer aparência "formal" que seja, é um dos fins maiores (senão o fim maior mesmo) do Espiritismo, não é verdade? Consta do Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, por exemplo:
842 Todas as doutrinas têm a pretensão de ser a única expressão da verdade; como se pode reconhecer a que tem o direito de se posicionar assim?
– Será aquela que faz mais homens de bem e menos hipócritas, ou seja, pela prática da lei de amor e de caridade em sua maior pureza e sua aplicação mais abrangente. A esse sinal reconheceis que uma doutrina é boa, já que toda doutrina que semear a desunião e estabelecer uma demarcação entre os filhos de Deus só pode ser falsa e nociva.
Então, sejamos justos: o orkut pode ter uma série de falhas, pode servir (como toda ferramenta, aliás) para a prática de atos positivos ou nocivos, mas isso não diminui em nada o valor do belo trabalho que eles têm feito com as tais "sortes de hoje"!
E, claro, nem todas elas são inspiradas ou divertidas, mas, de modo geral, seu conteúdo é algo a ser louvado! Parabéns, orkut, e muito boa sorte na sua divulgação do Amor! :)
15 de set. de 2009
A Ciência de mãos dadas com o Espiritismo
Em nosso post anterior (Precisando de uma ajudinha?) mostramos uma reportagem que traz um estudo da Ciência tradicional que comprova um ensinamento espírita de longa data: ajudar seu próximo faz bem para você mesmo, e não só para aquele que você ajudou.
O mais curioso é que Allan Kardec mencionara essa aproximação de Ciência e Espiritismo já há muito! No Livro dos Espíritos, por exemplo:
Poderíamos citar vários outros exemplos, mas, para se limitar a apenas um mais, veja esta mensagem do Espírito Lamennais, no Livro dos Médiuns, esclarecendo a respeito da natureza do perispírito (grifos nossos):
Daí se vê que a aproximação entre as duas Ciências era uma "previsão" (por assim dizer) dos próprios espíritos mesmo! E isto não é de se estranhar: ora, o Espiritismo é propriamente uma doutrina (e não uma crença), e se sujeita a todo momento ao crivo da lógica; não havendo dogmas, crenças inabaláveis, nem fé cega (como Kardec mesmo faz questão de ressaltar a todo o instante, na Codificação Espírita).
O Espiritismo é uma fé racional, uma doutrina verificável pela lógica antes de tudo, baseia-se em elementos fáticos: a existência dos espíritos e sua influência sobre o mundo material é um fato concreto, verificável por todos aqueles dotados de alguma mediunidade, e não uma crença intangível.
Aliás, é verifícável não só pelos médiuns, mas por todos aqueles que presenciam fenômenos espirituais. O próprio Espiritismo, tal como codificado por Kardec, tomou corpo inicialmente com o fenômeno das "mesas girantes"! Veja outro pequeno trecho do Livro dos Médiuns:
Nada mais natural então que, com o tempo, a Ciência fosse se despindo de seus preconceitos e começasse a estudar com sinceridade os fenômenos espirituais, seguindo toda a metodologia tradicional, de imparcialidade, verificabilidade, racionalidade, lógica, etc.
A revista SUPER interessante (sim, de novo ela, rs), por exemplo, vem trazendo cada vez mais reportagens (de capa!) que tratam de estudos científicos que vêm comprovando mais e mais fenômenos espíritas: na edição 252, de maio de 2008, vide a reportagem Médiuns: O que a ciência tem a dizer sobre a mediunidade?. (A reportagem ainda é um tanto cética, mas muito menos que esta outra, mais antiga, na edição 237, de março de 2007: Eles vêem espíritos.)
A tendência de aproximação das duas Ciências ainda é, talvez, muito mais lenta do que gostaríamos. Mas é fato: parece mesmo um movimento concreto, irreversível; e assim então apenas uma questão de tempo até que não se fale mais no Espiritsmo como mera doutrina, mas também como a Ciência que é.
Um sonho muito distante de virar realidade? Talvez nem tanto assim, quando se vê os avanços que a Física Quântica, em especial, tem conseguido, no campo da Ciência tradicional... Mas isso fica pra outro post! :)
O mais curioso é que Allan Kardec mencionara essa aproximação de Ciência e Espiritismo já há muito! No Livro dos Espíritos, por exemplo:
Quando a crença espírita estiver bastante difundida, quando for aceita pelas massas, e, a se julgar pela rapidez com que se propaga, esse tempo não está longe, acontecerá com o Espiritismo o que ocorre com todas as idéias novas que encontraram oposição: os sábios irão se render à evidência. Chegarão a ela por si sós e pela força das coisas.
Poderíamos citar vários outros exemplos, mas, para se limitar a apenas um mais, veja esta mensagem do Espírito Lamennais, no Livro dos Médiuns, esclarecendo a respeito da natureza do perispírito (grifos nossos):
Agora, quanto à questão do ponto de vista científico, ou seja, à essência do perispírito, isso é um outro assunto. Procurai compreender por agora moralmente o porquê do seu existir e restará então discutir a natureza dos fluidos, o que é inexplicável para o momento; a ciência não conhece bastante, mas chegará lá se quiser caminhar com o Espiritismo. [...]
Daí se vê que a aproximação entre as duas Ciências era uma "previsão" (por assim dizer) dos próprios espíritos mesmo! E isto não é de se estranhar: ora, o Espiritismo é propriamente uma doutrina (e não uma crença), e se sujeita a todo momento ao crivo da lógica; não havendo dogmas, crenças inabaláveis, nem fé cega (como Kardec mesmo faz questão de ressaltar a todo o instante, na Codificação Espírita).
O Espiritismo é uma fé racional, uma doutrina verificável pela lógica antes de tudo, baseia-se em elementos fáticos: a existência dos espíritos e sua influência sobre o mundo material é um fato concreto, verificável por todos aqueles dotados de alguma mediunidade, e não uma crença intangível.
Aliás, é verifícável não só pelos médiuns, mas por todos aqueles que presenciam fenômenos espirituais. O próprio Espiritismo, tal como codificado por Kardec, tomou corpo inicialmente com o fenômeno das "mesas girantes"! Veja outro pequeno trecho do Livro dos Médiuns:
66 Para que uma manifestação seja inteligente, não é necessário que seja eloqüente, espirituosa ou sábia; basta que seja um ato livre e voluntário, que exprima uma intenção ou responda a um pensamento. Seguramente, quando se vê um cata-vento girando, é certo que obedece apenas a uma impulsão mecânica do vento, mas, caso se reconhecesse nos movimentos do cata-vento sinais intencionais, se girasse à direita ou à esquerda, rapidamente ou com lentidão, atendendo a um comando, seria forçoso admitir não que o cata-vento é inteligente, mas que obedece a uma inteligência. É o que aconteceu com a mesa.
67 Vimos a mesa se mover, levantar-se, dar pancadas sob a influência de um ou de vários médiuns. O primeiro efeito inteligente notado foi o de ver esses movimentos obedecer a um comando; assim, sem mudar de lugar, a mesa se levantava alternativamente sobre o pé designado; depois, ao cair, batia um número determinado de vezes, respondendo a uma questão. Outras vezes a mesa, sem o contato da pessoa, passeava sozinha pela sala, indo à direita ou à esquerda, para frente ou para trás, executando diversos movimentos, atendendo à ordem dos assistentes.
Nada mais natural então que, com o tempo, a Ciência fosse se despindo de seus preconceitos e começasse a estudar com sinceridade os fenômenos espirituais, seguindo toda a metodologia tradicional, de imparcialidade, verificabilidade, racionalidade, lógica, etc.
A revista SUPER interessante (sim, de novo ela, rs), por exemplo, vem trazendo cada vez mais reportagens (de capa!) que tratam de estudos científicos que vêm comprovando mais e mais fenômenos espíritas: na edição 252, de maio de 2008, vide a reportagem Médiuns: O que a ciência tem a dizer sobre a mediunidade?. (A reportagem ainda é um tanto cética, mas muito menos que esta outra, mais antiga, na edição 237, de março de 2007: Eles vêem espíritos.)
A tendência de aproximação das duas Ciências ainda é, talvez, muito mais lenta do que gostaríamos. Mas é fato: parece mesmo um movimento concreto, irreversível; e assim então apenas uma questão de tempo até que não se fale mais no Espiritsmo como mera doutrina, mas também como a Ciência que é.
Um sonho muito distante de virar realidade? Talvez nem tanto assim, quando se vê os avanços que a Física Quântica, em especial, tem conseguido, no campo da Ciência tradicional... Mas isso fica pra outro post! :)

