Hoje falaremos, no entanto, até por conta do feriado de Finados, de uma das boas novas que o Espiritismo nos traz: a morte não existe!
Ou melhor, não existe naquele sentido tradicional, da morte como significando o fim de absolutamente tudo aquilo que entendemos por vida. O Espiritismo nos ensina que a morte até existe, mas apenas e tão-somente para o corpo, jamais para a alma.
A alma, independente do corpo, já existia muito antes dele e continuará existindo eternamente, logo, sobrevive perfeitamente à morte corpórea: essa uma das maiores (e melhores) novidades trazidas pela Doutrina. Veja no Livro dos Espíritos, por exemplo, alguns dos momentos em que se fala a respeito:
68 Qual é a causa da morte entre os seres orgânicos?
– O esgotamento dos órgãos.
68 a Podemos comparar a morte com o cessar do movimento numa máquina desarranjada?
– Sim; se a máquina está mal montada, o movimento cessa; se o corpo está doente, a vida se extingue.
149 Em que se torna a alma logo após a morte?
– Volta a ser Espírito, ou seja, retorna ao mundo dos Espíritos, que havia deixado temporariamente.
150 A alma, após a morte, conserva sua individualidade?
– Sim, nunca a perde. O que seria ela se não a conservasse?
153 Em que sentido se deve entender a vida eterna?
– É a vida do Espírito que é eterna; porém, a do corpo é transitória e passageira. Quando o corpo morre, a alma retorna à vida eterna.
Em última análise, toda ou quase toda religião ou crença espiritual defende a sobrevivência da alma (ainda que com outro nome) ao corpo. É elemento comum a todas as chamadas doutrinas espiritualistas. Veja no Livro dos Espíritos, página 2:
E por fim, segundo outros, a alma é um ser moral, distinto e independente da matéria, que conserva sua individualidade após a morte. Essa concepção é, indiscutivelmente, a mais generalizada, visto que, sob um nome ou outro, a idéia desse ser que sobrevive ao corpo se encontra como crença instintiva e independentemente de qualquer ensinamento, entre todos os povos, seja qual for o grau de sua civilização. Essa doutrina, segundo a qual a alma é a causa e não o efeito, é a dos espiritualistas.
O Espiritismo tem uma visão bastante peculiar sobre a vida espiritual e a morte corpórea. Não fala em céu, inferno ou purgatório, nem em vida única, mas sim num contínuo aprendizado e evolução do espírito, vida após vida.
Fala também que nem sempre a morte é um momento doloroso: se a consciência está limpa (predomina a sensação de dever cumprido), há algum conhecimento da sobrevivência da alma ao corpo (noções espirituais sempre ajudam), e não se abandona a fé em Deus e na cooperação dos amigos espirituais, a passagem pode ser até um alívio para aquele que se desprende dos grosseiros laços carnais. É o fim natural de uma etapa de aprendizado e trabalho.
159 Que sensação experimenta a alma no momento em que reconhece estar no mundo dos Espíritos?
– Isso depende. Se fizestes o mal com o desejo de fazê-lo, vos envergonhareis de tê-lo feito, num primeiro momento. Para o justo, é bem diferente: é como o alívio de um grande peso, porque não teme nenhum olhar indagador.
160 O Espírito encontra imediatamente aqueles que conheceu na Terra e que desencarnaram antes dele?
– Sim, de acordo com a afeição que havia entre eles, muitas vezes vêm recebê-lo na volta ao mundo dos Espíritos e o ajudam a se desprender das faixas da matéria. Assim como reencontra também muitos que havia perdido de vista durante sua permanência na Terra. Vê os que estão na erraticidade, como também vai visitar os que estão encarnados.
163 A alma, ao deixar o corpo, tem imediatamente consciência de si mesma?
– Consciência imediata não. Ela passa algum tempo como num estado de perturbação.
164 Todos os Espíritos experimentam, no mesmo grau e com a mesma duração, a perturbação que se segue à separação da alma e do corpo?
– Não, isso depende de sua elevação. Aquele que já está depurado reconhece a sua nova situação quase imediatamente, porque já se libertou da matéria durante a vida do corpo, enquanto o homem carnal, aquele cuja consciência não é pura, conserva durante muito mais tempo as sensações da matéria.
165 O conhecimento do Espiritismo tem alguma influência sobre a duração, mais ou menos longa, dessa perturbação?
– Uma influência muito grande, uma vez que o Espírito já compreendia antecipadamente sua situação. Mas a prática do bem e a consciência pura exercem maior influência.
Pois é, para aqueles que acreditam nos ensinamentos da Doutrina Espírita, trazidos pelos nossos amigos e irmãos do lado de lá, não deveria haver o que se lamentar nesse Dia de Finados!
Claro que muitas vezes ocorrem perdas dolorosas, recentes, que ainda amarguram o coração. Devemos, no entanto, dentro do possível, ir deixando a dor de lado, tendo fé na sabedoria e proteção divina. Ele nunca nos abandona, nem nos dá fardos maiores do que poderíamos suportar.
No mais, nossos entes queridos nunca verdadeiramente se vão. Talvez não estejam mais aqui conosco materialmente, mas, havendo amor sincero, estarão sempre ligados a nós pelos laços do afeto. Os vínculos espirituais são muito, mas muito mais fortes e duradouros que os breves laços carnais.
Por isso, nossa sugestão, nesse Dia de Finados, é que se evite toda sorte de pensamentos negativos ou sentimentos dolorosos, pois isto, segundo nos dizem mesmo nossos irmãos do lado de lá da vida, não ajuda em nada os nossos queridos que se foram, e pode até prejudicá-los, colocando-os também em sofrimento.
Não, sugeriríamos sim tirar o foco da perda da partida, e ter sempre em mente os ganhos que tivemos com os momentos em que vivemos ao lado dos que partiram. Lembre-se sim das coisas boas vividas juntas, da alegria dos momentos felizes, das lições aprendidas nos momentos tristes, de tudo o de positivo que resultou do que passaram juntos, ainda que tenha sido breve.
Muitas vezes essas pessoas queridas continuam do nosso lado, nem que seja apenas de vez em quando, e, mesmo quando não podem estar conosco, com certeza continuam a nos rogar melhoras e a solicitar o envio de ajuda para nós, quando precisamos, por meio da oração ou do pedido de intervenção dos espíritos superiores em nosso favor.
E devemos fazer o mesmo por eles! Pedir a Deus que os abençoe, que ilumine seus caminhos, que reconheça o grande bem que nos proporcionaram quando vivos (ou que perdoe as faltas que nos cometeram), e que permita a eles continuarem em suas jornadas de evolução espiritual, mesmo que não mais ao nosso lado, se assim for melhor.
E tenha sempre fé no reencontro: chegada a hora, nos veremos novamente rodeados de todos os nossos entes queridos que nos precederam na volta ao mundo espiritual! Não apresse nunca esse reencontro, isso aliás poderia até impossibilitar ou retardar muito esse momento; siga vivendo sua vida em paz e construtivamente, aproveitando as oportunidades divinas de crescimento e aprendizado, pois, quando chegada a hora, o reencontro chegará.
Essas nossas sugestões para o Dia de Finados! Lembre dos que se foram com carinho e alegria pelos momentos felizes que nos trouxeram, ore por eles e mantenha sua fé em Deus inabalada, pois, afinal, a morte é uma ilusão! A separação é temporária, parcial, e deve não ser motivo de tristeza, mas, como sempre, de aprendizado e crescimento.
Que Deus abençoe e ilumine todos, neste dia e sempre!
Um comentário:
Adorei o post, e realmente concordo em tudo, como sempre. Ah esses espíritos superiores novamente nos dando conselhos maravilhosos!
Desejo um Feliz Dia dos Finados e muita força aos que perderam seus entes queridos recentemente ou até mesmo há algum tempo atrás. Fiquem com Deus.
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