29 de set. de 2009

Precisamos virar vegetarianos?

Ainda no tema dos animais e o Espiritismo, que abordamos já em dois posts (recomendamos, com carinho, sua leitura antes de continuar: Humanos e animais: quem são os irracionais? e Os animais têm alma?), falaremos agora um pouquinho da questão do vegetarianismo.

Trata-se de assunto bastante polêmico, mesmo entre os espíritas. Basicamente, a questão que vamos tentar responder é: o Espiritismo exige que viremos vegetarianos? Ou melhor, em outras palavras: deixar de comer carne é uma exigência decorrente do nosso dever de tratar com amor e respeito os animais?

Em primeiro lugar, vejamos a questão 723, submetida aos espíritos por Allan Kardec no Livro dos Espíritos:

723 A alimentação animal é, para o homem, contrária à lei natural?
– Em vossa constituição física, a carne alimenta a carne; de outro modo, o homem enfraquece. A lei de conservação dá ao homem o dever de manter suas forças e sua saúde para cumprir a lei do trabalho. Ele deve, portanto, se alimentar conforme as exigências de seu organismo.

A resposta talvez decepcione os vegetarianos, já que defende o consumo de carne para a manutenção da saúde corpórea. Ora, não podemos esquecer, no entanto, que esse ensinamento nos foi compartilhado pelos irmãos espirituais em 1857, há mais de um século e meio.

Há 150 anos, com certeza, não havíamos ainda desenvolvido nossos conhecimentos técnicos e científicos a ponto de estudar alternativas nutricionais mais a fundo, e a resposta tem que então ser considerada em relação à situação da época, muito diferente da atual.

Hoje, para muitas pessoas, é possível manter uma alimentação perfeitamente saudável sendo exclusivamente vegatariano ou vegan. Há uma série de livros, artigos, blogs e sites por aí com ótimas dicas a respeito, basta consultar o Google (procure por "vegetarianismo", "vegetariano", "vegan", e assim vai)!

E o mais surpreendente é que os espíritos de 1857 não ignoraram essa questão, da evolução da alimentação humana, caminhando para um eventual abandono do consumo de carne. Na resposta 710, também do Livro dos Espíritos, eles nos ensinam, com muita clareza, que em mundos mais evoluídos a alimentação é totalmente diferente da nossa, sendo então bem menos grosseira:

710 Nos planetas onde o corpo é mais depurado, os seres vivos têm necessidade de alimentação?
– Sim, mas os alimentos estão de acordo com sua natureza. Esses alimentos não seriam muito substanciais para vossos estômagos grosseiros, do mesmo modo que, para eles, a vossa alimentação também não serviria.

Agora começa a fazer mais sentido a resposta 723, não? Pois espere só, vai melhorar ainda mais: veja o que nos dizem os mentores espirituais na questão 724 do Livro dos Espíritos:

724 A abstenção de alimento animal ou outro, como purificação, é meritória?
– Sim, se essa abstenção for em benefício dos outros; mas Deus não pode ver uma mortificação quando não é séria e útil. Por isso dizemos que aqueles que se privam apenas na aparência são hipócritas.

E com esta resposta, o quebra-cabeça está quase completo. Podemos tirar já algumas conclusões bastante válidas: comer carne era a única alternativa saudável em 1857, hoje não mais; além disso, deve-se ver com bons olhos a abstenção do consumo de carne, é um esforço digno de muito mérito; aliás, esta evolução da alimentação, tornando-se menos grosseira, e parando de depender do sacrifício de vida animal, é mesmo sinal de evolução da humanidade terrestre.

Mas por que os espíritos, então, não defenderam o vegetarianismo já em 1857? Bem, mais uma vez, por lógica, temos que interpretar uma obra sempre dentro de seu contexto. Cada mensagem espiritual vem em um dado momento, em um dado local, e tem que ser vista sob a ótica da sociedade deste tempo e lugar.

Assim como o Evangelho interpretado literalmente (ao invés de contextualmente) pode dar margem a uma série de abusos, o mesmo pode ocorrer com o Livro dos Espíritos; embora este, com certeza, por ser mais recente, e por passar ensinamentos de forma mais direta e objetiva (já que não usa narrativas), dê uma margem muito menor a interpretações equivocadas.

E quer ver o mais curioso disso tudo? Os próprios mentores espirituais responsáveis pelo Livro dos Espíritos nos fazem essa ressalva, e Kardec belissimamente tece algumas considerações a respeito, inclusive sobre a questão do vegetarianismo:

182 Podemos conhecer exatamente o estado físico e moral dos diferentes mundos?
– Nós, Espíritos, só podemos responder de acordo com o grau de adiantamento em que vos encontrais. Portanto, não devemos revelar essas coisas a todos, visto que nem todos terão alcance de compreendê-las, e isso os perturbaria.

Comentários de Kardec: À medida que o Espírito se purifica, o corpo que o reveste se aproxima igualmente da natureza espírita. A matéria torna-se menos densa, ele não mais se arrasta em sofrimento pela superfície do solo, as necessidades físicas são menos grosseiras e os seres vivos não têm mais necessidade de se destruírem mutuamente para se alimentar. O Espírito é mais livre e, para atingir coisas distantes, tem percepções que nos são desconhecidas. Ele vê pelos olhos do corpo o que apenas pelo pensamento podemos imaginar.

A purificação dos Espíritos reflete-se na perfeição moral dos seres em que estão encarnados. As paixões brutais se enfraquecem e o egoísmo dá lugar a um sentimento fraternal. É desse modo que, nos mundos superiores à Terra, as guerras são desconhecidas, os ódios e as discórdias não têm motivo, porque ninguém pensa em fazer o mal a seu semelhante. A intuição que têm do futuro, a segurança que uma consciência livre de remorsos lhes dá, fazem com que a morte não lhes cause nenhuma apreensão, por isso a encaram sem temor e a compreendem como uma simples transformação.

A duração da vida nos diferentes mundos parece ser proporcional ao grau de superioridade física e moral desses mundos, e isso é perfeitamente racional. Quanto menos material é o corpo, menos está sujeito às alternâncias e instabilidades que o desorganizam. Quanto mais puro é o Espírito, mais livre das paixões que o destroem. Esse é ainda um benefício da Providência que, desse modo, abrevia os sofrimentos.


Belos ensinamentos! Apenas para concluir, então, vamos responder a questão proposta no início do post: pois é, ao que parece, não há o dever de se tornar vegetariano. Não faria sentido, aliás, impor isso a alguém: tiraria mesmo o mérito deste gesto de amor, que deve ser sempre uma opção individual.

Além disso, algumas pessoas, por suas características físicas, não podem ser vegetarianas; dependem mesmo, por orientação médica, do consumo esporádico ou habitual de proteína animal. Certamente, com o tempo, nossa Medicina evoluirá a ponto de suprir estas necessidades de pessoas específicas; até lá, elas não têm nem como considerar parar de comer carne.

As demais pessoas, sem qualquer impedimento ao vegetarianismo, no entanto, deveriam (idealmente) considerar essa alternativa com carinho. Nosso consumo desenfreado de animais vem ensejando uma série de verdadeiros horrores por parte da indústria, comparáveis aos perpetrados pelo nazismo nos campos de concentração (você provavelmente já viu algum vídeo a respeito).

Abandonar o consumo de carne seria, dos sacrifícios pessoais, um dos mais belos e meritórios, pois feito puramente em favor de nossos irmãozinhos (ou irmaozões) menos complexos, os animais. É uma questão evolutiva até: a moralidade terrestre parece caminhar neste sentido, há uma crescente tendência.

Quem ainda não pode ou não quer (por qualquer motivo) se adiantar ao seu tempo, virando vegetariano desde já, poderia, ao menos, defender a adoção de paliativos, em prol de um tratamento mais amoroso e respeitoso dos animais nos criadouros e nas casas de abate, tal como: o fim do confinamento, das mutilações, do abate violento/doloroso...

Mas essa questão de como tratar com mais amor os animais, hoje e já, e mesmo sem a adoção do vegetarianismo (embora isto parecesse o ideal), vamos explorar mais a fundo em nosso próximo post! Que Deus abençoe todos!

27 de set. de 2009

Os animais têm alma?

Em nosso post anterior, introduzimos o debate sobre o relacionamento entre humanos, animais e o Espiritismo, com a questão Humanos e animais: quem são os irracionais?

Hoje vamos retomar a bandeira do dever humano de proteger e respeitar todas as formas de vida, tanto as mais evoluídas, quanto as menos complexas, como ocorre no caso dos animais.

Mas temos que admitir que fazer isso não é lá muito fácil: como tratar com amor e respeito tudo o que tem vida, de bactérias a tubarões? Talvez até pareça ao leitor um tanto exagerado, equivocado, desnecessário... Mas será mesmo?

O Espiritismo diz que os animais estão aí, dentre outras coisas, para servir aos homens. São "inferiores" (dentro de uma escala de evolução e complexidade, como apontamos em nosso post anterior) e "submissos" ao homem, pois são os nossos "servidores inteligentes", sempre dispostos a nos ajudar.

Veja no Livro dos Espíritos, de Allan Kardec:

601 Os animais seguem uma lei progressiva, como os homens?
– Sim, por isso, nos mundos superiores, onde os homens são mais avançados, os animais também o são, tendo meios de comunicação mais desenvolvidos; mas são sempre inferiores e submissos ao homem, são para ele servidores inteligentes.

Mas até que ponto vai o nosso direito de nos servir dos animais? Nenhum direito é em si ilimitado; o exercício abusivo de qualquer direito é sempre condenável; e o mesmo vale para o direito de utilização dos animais em nosso favor. E isso consta também do Livro dos Espíritos:

734 Em seu estado atual, o homem tem direito ilimitado de destruição sobre os animais?
– Esse direito é regido pela necessidade de prover a sua alimentação e segurança. O abuso nunca foi um direito.

735 O que pensar da destruição que ultrapassa os limites das necessidades e da segurança? Da caça, por exemplo, quando tem por objetivo apenas o prazer de destruir sem utilidade?
– Predominância dos maus instintos sobre a natureza espiritual. Toda destruição que ultrapassa os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais destroem apenas de acordo com suas necessidades; mas o homem, que tem o livre-arbítrio, destrói sem necessidade; ele deverá prestar contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, porque cede aos maus instintos.

Pois é, podemos nos utilizar dos animais, para satisfazer as nossas necessidades. Mas será que é só isso? Os animais estariam aí com a única finalidade de nos serem úteis? Por lógica já se suspeita que não, e o mesmo nos confirma o Livro dos Espíritos:

593 Pode-se dizer que os animais agem apenas por instinto?
– Ainda assim é um sistema. É bem verdade que o instinto domina na maioria dos animais, mas não vedes que muitos agem com uma vontade determinada? É inteligência, porém limitada.

595 Os animais têm o livre-arbítrio de seus atos?
– Eles não são simples máquinas, como se pode supor; mas sua liberdade de ação é limitada às suas necessidades e não se pode comparar à do homem. Sendo muito inferiores ao homem, não têm os mesmos deveres. Sua liberdade é restrita aos atos da vida material.

597 Se os animais têm uma inteligência que lhes dá uma certa liberdade de ação, há neles um princípio independente da matéria?
– Sim, e que sobrevive ao corpo.

597 a Esse princípio é uma alma semelhante à do homem?
– É também uma alma, se quiserdes, depende do sentido que se dá a essa palavra; mas é inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem tanta distância quanto há entre a alma do homem e Deus.

Ou seja, os animais também têm alma sim (!!), e seguem a lei de evolução progressiva e contínua, de modo que, tal como nós, estão aí para viverem, se melhorarem e "crescerem" como espíritos! Claro que, numa grande escala da vida, eles estão muito aquém da nossa evolução e complexidade, mas ei, não vamos esquecer que há também seres muito mais evoluídos e complexos que nós humanos, não? :)

Essa a beleza da criação divina! Talvez tenhamos começado como animais também, em formas de vida muito, muito rudimentares, e fomos progredindo! Por que não? O Livro dos Espíritos mesmo trata dessa possibilidade, nas questões 606 a 610, quando fala da origem comum do princípio inteligente presente tanto em humanos quanto em animais.

Então, resumindo, podemos nos servir dos animais sim, e até tirar sua vida em alguns casos, como quando a nossa segurança o exigir, por exemplo, e não houver uma alternativa viável.

Agora, havendo uma alternativa, ela será sempre preferível: sair matando todas as ameaças que apareciam era com certeza a única opção na época em que vivíamos em cavernas, mas hoje em dia podemos, dentre outras coisas, usar dardos tranqüilizantes em feras, passar repelentes contra insetos, colocar grades, cercas, isolar ameaças...

Claro, nem sempre há uma alternativa disponível, mas, havendo, parece ser ela a melhor opção. Isso seria, acreditamos, tratar com amor os animais, e de uma forma bastante realista: dependemos deles com certeza, precisamos nos utilizar destes nossos "servidores inteligentes", mas dentro dos limites do estritamente necessário, e com o menor prejuízo possível para eles; sempre de acordo com nossas possibilidades em cada época, local, desenvolvimento tecnológico, recursos, etc.

E a alimentação? Ser vegetariano é uma exigência de tratar com amor os animais? O que o Espiritismo nos fala a respeito? Sendo um tema bastante controverso, uma reflexão mais a fundo fica para o nosso próximo post! Fiquem todos com Deus, e até lá!

24 de set. de 2009

Humanos e animais: quem são os irracionais?

Dando, de certa forma, alguma continuidade ao que tratamos nos posts anteriores, a respeito do relacionamento entre humanos e outros seres em igual ou superior nível de complexidade (veja em Você acredita em vida fora da Terra? e Devemos mesmo matar aliens?), hoje falaremos de humanos e seres menos complexos, os animais.

Há quem fale em seres "irracionais", mas irracional parece ser chamá-los desse modo, já que não faltam exemplos nem de animais com uma racionalidade surpreendente (veja o caso dos chimpanzés, os primatas mais próximos do homem; ou o dos golfinhos), nem de animais com valores morais que superam de longe o de muitos humanos (veja a tocante história do Leão Christian e seus "pais"; e outros belos exemplos que nos dão os animais, alguns deles nos vídeos relacionados a este do leão).

Por outro lado, não faltam exemplos de irracionalidades e imoralidades humanas. Não tem paralelo com o mundo animal o extermínio em massa que os humanos fizeram e fazem um dos outros, sendo o genocídio dos momentos de guerra talvez a nossa estupidez mais gritante.

Assim, difícil conceituar os animais, já que eles não são irracionais, nem necessariamente menos evoluídos em questões morais que nós, humanos. Mas é claro que, de modo geral, tendemos a ser mais evoluídos tanto no campo racional quanto no moral, a começar pelo fato de que pensamos e criticamos o nosso agir a todo instante, visando à nossa melhoria e progresso, numa atividade consciente.

Então talvez seja melhor conceber uma escala evolutiva da vida, em crescentes graus de desenvolvimento de consciência/espírito (em termos de complexidade; não de racionalidade ou moralidade), começando com as bactérias mais simples (ou talvez com os vírus, embora muito questionado se são uma forma de vida ou não), e terminando com a forma de vida mais complexa que houver; e então colocar os humanos um pouco à frente dos animais terrestres em geral, mas definitivamente não na ponta desta escala, no ápice da evolução, pois com certeza há seres infinitamente mais complexos que nós, dentre os nossos amigos de outros planetas.

E é por isto que parece mais adequado tratar dos animais simplesmente como seres menos complexos, não muito diferentes de nós, apenas um pouco menos avançados numa escala de complexidade da vida; nada de "seres irracionais".

Como se vê, todas estas considerações implicam em reconhecer que não somos os seres supremos, no topo da cadeia evolutiva, posição que por tanto tempo supomos ocupar. Não, na grande escala da vida, dos seres menos aos mais complexos, todos obras divinas, talvez não estejamos nem no meio do caminho.

Se não conseguimos tratar com amor e respeito nem os nossos semelhantes, e menos ainda os nossos irmãos mais evoluídos, que dirá dos animais, nossos companheiros menos complexos? Temos uma responsabilidade ainda maior com eles, por estarmos um pouquinho à sua frente... Mas, no geral, lamentavelmente, tendemos a usar este "poder" em nosso favor, e não em prol deles.

É um péssimo hábito humano o de abusar dos poderes que nos são concedidos, usando-os para obter a máxima satisfação de nossas necessidades imediatas, ao invés de exercê-los com responsabilidade, como todo poder em tese exige.

Mas, ver isto mais a fundo, dentro da questão do relacionamento entre humanos e animais, e o que diz o Espiritismo a respeito, fica para o próximo post! :)

22 de set. de 2009

Devemos mesmo matar "aliens"?

Embora o título da mensagem de hoje pareça à primeira vista uma brincadeira, trata-se, em verdade, de algo muito sério. Se o caro leitor ainda vê com estranheza ou acha graça no assunto "alienígenas", recomendaríamos, antes de mais nada, a leitura de nosso post anterior: Você acredita em vida fora da Terra? ;)

Mas é natural que se estranhe ou ache engraçado o presente título: o assunto "aliens" ainda está essencialmente relegado ao campo da ficção científica, sendo explorado quase que exclusivamente em quadrinhos, filmes, jogos...

E, na maioria dessas obras artísticas, o mote é quase sempre o mesmo: extraterrestres malignos resolvem invadir a Terra, com naves super avançadas, para exterminar ou escravizar a humanidade, que então se defende como pode, reagindo com a máxima violência, por meio de batalhas e mais batalhas terrestres e siderais, por fim vencendo a guerra, ou então sucumbindo à "ameaça" alienígena.

A vida fora da Terra, defendida pelo Espiritismo desde 1857, hoje até vem sendo estudada cientificamente (de novo, vide nosso post anterior), porém a cultura geral ainda é de medo (e violência) ante os grandes desconhecidos que são nossos irmãos de outros planetas.

Tal medo não é de todo injustificável: veja, por exemplo, a Operação Prato, do final dos anos 1970, amplamente documentada pelas nossas Forças Armadas -- documentos, aliás, já obtidos diretamente das autoridades brasileiras, pela louvável campanha UFOs: Liberdade de Informação Já. Sondas oriundas de naves espaciais teriam perseguido, aterrorizado e até causado queimaduras em algumas dezenas de pessoas em Colares - PA, por meio de luzes emitidas em sua direção (quem sabe por alguma espécie de scanner mal concebido, pois evidentemente lesivo).

Talvez os alienígenas não sejam todos bons e moralmente mais evoluídos que os humanos... E isso não deve causar muita surpresa, afinal não é muito diferente do que ocorre atualmente entre nós mesmos, uma massa disforme de mais de 6 bilhões de pessoas, em variadíssimos graus de evolução moral: há humanos de todos os "tipos", por assim dizer; e o mesmo supõe-se (por lógica) ser aplicável aos nossos irmãos de outras moradas.

Nosso medo ante o desconhecido, o novo, entretanto, é um mal a ser combatido, pois costuma levar a respostas irracionais e atos de violência inomináveis. É um mal que acompanha a humanidade desde sempre: até pouco tempo atrás, jogávamos na fogueira, ou simplesmente guilhotinávamos quem pensava diferente; um pouco depois, criamos o genocídio, a industrialização do extermínio dos diferentes, nos campos de concentração; e mesmo hoje, os crimes de ódio estão em todo lugar...

Pensava que isso só acontecia com humanos, no entanto? Pense de novo... Veja, por exemplo, qual foi a primeira reação de um grupo de jovens panamenhos entre 14 e 16 anos, recentemente, ao se depararem com um animal desconhecido, que eles pensaram ser um alienígena: apedrejaram-no até a morte. (aparentemente, não passa de um bicho-preguiça, segundo G1 e UFO)

No Caso Varginha mesmo, supondo-se verdadeiros os relatos (de pessoas sérias, ressalte-se) de que ao menos uma nave espacial teria caído por lá, e quatro ou mais tripulantes teriam sido perseguidos, capturados, mortos, dissecados e estudados em laboratório por nossos militares... Poxa, será esse o tipo de reação que gostaríamos para nós mesmos quando, daqui a algumas décadas quem sabe, estivermos a visitar outros planetas, outras civilizações?

E, por outro lado: será que não acabaremos fazendo igual aos alienígenas relatados na Operação Prato, passando por cima da ética e do bem-estar alheio, aterrorizando e lesionando seres dos planetas que visitarmos, em nome do progresso científico?

É só ver o que já fazemos hoje com os animais do nosso planeta mesmo, submetidos a toda sorte de horrores em laboratórios, em prol dos avanços (a qualquer custo) da Ciência, que talvez pudessem ser obtidos por outros meios, ou com menos sofrimentos para as cobaias...

Ninguém precisa ser espírita ou cristão para entender este que é hoje um dos ensinamentos morais mais primordiais de qualquer doutrina, religião ou crença minimamente séria: não fazer aos outros aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco. Consta do Livro dos Espíritos de Allan Kardec, por exemplo:

876 Fora do direito consagrado pela lei humana, qual é a base da justiça fundada sobre a lei natural?
– O Cristo disse: “Não façais aos outros o que não quereis que vos façam”. Deus colocou no coração do homem a regra de toda a verdadeira justiça pelo desejo que cada um tem de ver respeitados os seus direitos. Na incerteza do que fazer em relação ao semelhante numa determinada circunstância, o homem deve perguntar-se como desejaria que se fizesse com ele na mesma circunstância: Deus não poderia lhe dar um guia mais seguro do que a própria consciência.

Comentário de Kardec: O critério da verdadeira justiça é, de fato, desejar aos outros o que se deseja para si mesmo, e não desejar para si o que se desejaria para os outros, o que não é a mesma coisa. Como não é natural desejar o mal para si, se tomarmos o desejo pessoal como norma e ponto de partida, estaremos sempre certos de apenas desejar o bem para o próximo. Em todos os tempos e todas as crenças, o homem tem sempre procurado fazer prevalecer seu direito pessoal. A sublimidade da religião cristã foi tomar o direito pessoal por base do direito do próximo.

Como se vê, já passou (e muito) da hora de desenvolvermos uma ética e uma noção de dignidade não apenas para os humanos, mas para toda forma de vida. A questão dos animais fica para outro post, pois é um tema talvez até mais controverso.

Mas que dizer de "humanóides" ao menos, nossos irmãos de outros planetas em nível de evolução no mínimo semelhante ao nosso? Podemos simplesmente persegui-los, matá-los, dissecá-los em laboratório? Como não gostaríamos muito de sermos assim tratados por eles, por lógica se conclui que não; e o mesmo nos ensina o Espiritismo, a moral cristã, e talvez mesmo quase toda doutrina ou religião séria.

Já não teria, então, chegado a hora de pararmos de retratar aliens como os grandes invasores, com os quais estaríamos predestinados a ter guerras espaciais infindáveis? Ok, Star Wars é mesmo muito divertido, talvez uma das séries mais adoradas do mundo todo; mas que tal começarmos a deixar o "Wars" só para a ficção mesmo, arranjando, para a realidade, algo algo muito mais respeitoso, amoroso... Quem sabe Star Friends? Pense nisso! ;)

20 de set. de 2009

Você acredita em vida fora da Terra?

Talvez os caros leitores não acreditem em vida para além da Terra. Bom, mas até aí, talvez nem todos acreditem sequer em vida após a morte, não é verdade? Mas assim como não parece lá muito lógico que a vida se resuma a uma única existência carnal, sem a possibilidade de aprendizado contínuo e evolutivo, também não parece resistir ao crivo da lógica a idéia de que a Terra seja o único planeta dotado de vida.

A Terra é, sem dúvida, o único local habitado que sabemos com certeza ter vida, afinal, estamos aqui; no entanto, as provas da possibilidade fortíssima de haver vida em muitos outros lugares estão em todo lugar: Astrônomos acharam sinais de matéria orgânica em outro planeta; meteoros caem aos montes com vários compostos orgânicos essenciais à vida, sendo talvez o mais famoso deles o meteorito de Murchison; e, nem precisando ir tão longe, a Terra mesmo nos mostra que a vida existe também nos locais mais inóspitos e sob as condições mais hostis, como se vê no caso das formas de vida extremófilas...

(Achou interessante? Leia mais sobre esses incríveis seres que vivem em vulcões, ou em quilômetros e mais quilômetros de profundidade nos oceanos no artigo sobre extremófilas na Wikipedia americana, e mais sobre os estudos científicos sobre a vida fora da terra em Astrobiologia; tem muita coisa legal).

Mas o mais curioso de tudo é que, também neste ponto, o Espiritismo mostra o quanto estava (e ainda está) à frente de nossos tempos: já em 1857 Allan Kardec esclarecia, no Livro dos Espíritos, com a ajuda dos espíritos, a respeito da existência de vida fora da Terra, nas "muitas moradas" de nosso Pai:

FORMAÇÃO DOS MUNDOS
O universo abrange a infinidade dos mundos que vemos e aqueles que não vemos, todos os seres animados e inanimados, todos os astros que se movem no espaço e os fluidos que o preenchem.

FORMAÇÃO DOS SERES VIVOS
43 Quando a Terra começou a ser povoada?
– No início tudo era o caos, os elementos estavam desordenados. Pouco a pouco, cada coisa tomou seu lugar. Então apareceram os seres vivos apropriados ao estado do globo.

44 De onde vieram os seres vivos da Terra?
– A Terra continha os germes que aguardavam o momento favorável para se desenvolverem. Os princípios orgânicos se agregaram desde que cessou a força que os mantinha separados, e eles formaram os germes de todos os seres vivos. Aqueles germes ficaram em estado latente, de inércia, como a crisálida e as sementes das plantas, até chegar o momento propício para o aparecimento de cada espécie. Então os seres de cada espécie se reuniram e se multiplicaram.

45 Onde estavam os elementos orgânicos antes da formação da Terra?
– Eles se encontravam, por assim dizer, no estado de fluido no espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, à espera da criação da Terra para começar uma nova existência em um novo globo.

PLURALIDADE DOS MUNDOS
55 Todos os globos que circulam no espaço são habitados?
– Sim, e o homem da Terra está longe de ser, como pensa, o primeiro em inteligência, bondade e perfeição. Entretanto, há homens que se julgam superiores a tudo e imaginam que somente este pequeno globo tem o privilégio de ter seres racionais. Orgulho e vaidade! Acreditam que Deus criou o universo só para eles.

56 A constituição física dos diferentes globos é a mesma?
– Não. Não se assemelham em nada.

57 Como a constituição física dos mundos não é a mesma, podemos concluir que os seres que os habitam têm corpos e uma organização diferente?
– Sem dúvida, como entre vós os peixes são feitos para viver na água e os pássaros, no ar.

58 Os mundos mais afastados do Sol são privados da luz e do calor, já que o Sol apenas se mostra para eles com a aparência de uma estrela?
– Acreditais então que não há outras fontes de luz e de calor além do Sol, e não considerais o valor e a importância da eletricidade que, em alguns mundos, desempenha um papel que vos é desconhecido e muito mais importante do que na Terra? Aliás, já dissemos que os seres desses mundos não são nem da mesma matéria nem têm os órgãos dispostos como os vossos.

Vejam só, caros leitores, como um ensinamento dado pelos espíritos em 1857, há um século e meio, ainda é sumariamente ignorado pela maior parte da humanidade, em grande parte pelo orgulho e vaidade de nos sentirmos o centro do universo, sentimento que nos inebria e nos oculta a visão desde sempre, remontando às nossas (estapafúrdias) idéias do Geocentrismo (a Terra seria o centro do Universo) e às do Antropocentrismo (o Homem é que seria o "centro" do Universo, embora num sentido figurado)...

Antes tarde que nunca, a Ciência vem comprovando ensinamentos espíritas de longa data, e o mesmo tem acontecido neste caso da vida fora da Terra, nos campos de pesquisa que mencionamos no início do post.

Algumas pessoas, no entanto, nunca precisaram de tal tipo de comprovação para crer na vida em todo lugar, simplesmente porque submeteram ao crivo da lógica a seguinte questão: sabendo que há vida na Terra, e que a vida é tão versátil que surge mesmo nos lugares mais inesperados; e na ausência de prova definitiva a respeito de vida alienígena, faz mais sentido acreditar que não há vida em nenhum outro lugar, até prova em contrário (e sempre fugindo da busca sincera por essa prova), ou então crer que é mais provável que a vida exista em muitos lugares diversos, até que se prove o oposto?

É uma questão de ponto de partida: o mais lógico seria partir do pressuposto que a vida só existe na Terra, ou que ela deve existir em outros lugares também? Se você ainda não acredita nisso, recomendaríamos, com carinho, pensar um pouco a respeito.

E se já consegue acreditar, nem que seja na mera possibilidade de vida fora daqui, sugeriríamos então um próximo passo, caso ainda não creia na vida após a morte: faz algum sentido, parece minimamente lógico, racional, que a vida seja um fenômeno espontâneo (e não criado por uma Força Maior), surgido do mero acaso, para uma única existência carnal, repleta de prazeres puramente carnais, e tendo por objetivo tão-somente a maior satisfação possível dos desejos materiais?

Faz algum sentindo conceber que mais de 6 bilhões de seres tenham surgido do nada para o nada, sem qualquer propósito maior que o de viver uma única vida, uma única existência, para a busca dos prazeres supérfluos a qualquer custo, não importando ninguém mais além de si próprio, já que não se teria que pensar em responsabilidades para depois dessa única (e brevíssima) vida? Fica aqui o convite (amigável) para uma profunda reflexão a respeito disto também... ;)

No próximo post, falaremos sobre uma questão de respeito ao próximo, de modo bastante amplo, pois vamos partir das considerações de hoje, sobre vida fora da Terra!

17 de set. de 2009

O orkut, a sorte de hoje e suas mensagens inspiradas

Você provavelmente conhece a "sorte de hoje", uma pequena mensagem positiva que aparece na página inicial dos usuários do orkut, logo abaixo das "visualizações de perfil":









Pois é, de uns tempos para cá, as "sortes de hoje" deixaram de ser repetitivas e um tanto (com o perdão da franqueza) sem graça mesmo, como eram antes! Muito pelo contrário, as "sortes" que o orkut agora tem colocado não apenas costumam mostrar um inspirado bom-humor, como também transmitem, por vezes, belas e positivas mensagens!

Veja algumas das mais legais que têm aparecido:

Sorte de hoje: Faça uma boa ação por alguém hoje

Sorte de hoje: Beleza sem virtude é como uma rosa sem fragrância

Sorte de hoje: Tentar e errar, mas não desistir de tentar

Sorte de hoje: Se o destino diz que você é um perdedor, pregue uma boa peça nele

Sorte de hoje: Uma promessa feita é uma dívida não paga

Sorte de hoje: Se você quer ser amado, seja amável

Sorte de hoje: Não tenha medo de ir devagar; só tenha medo de ficar parado

Sorte de hoje: O amor conquista tudo!

Sorte de hoje: Sua vida é limitada. Não perca tempo vivendo a vida de outra pessoa

Sorte de hoje: O silêncio oportuno é mais eloqüente do que o discurso

Sorte de hoje: Nunca desestimule alguém que evolui, não importa quão lenta seja a evolução

Sorte de hoje: Trabalhe bastante para ser reconhecido por seus talentos

Sorte de hoje: Um ato de bondade, mesmo que seja pequeno, nunca é em vão

Sorte de hoje: Procure viver pela paz, não por conflitos

Sorte de hoje: Olho por olho e o mundo acabará cego

Sorte de hoje: Devemos ser a mudança que queremos ver

Sorte de hoje: A melhor maneira de se encontrar é se perder em benefício de outros

Estas mensagens, não se filiando necessariamente a doutrina, crença ou religião alguma, cumprem aquilo que, no fundo, toda orientação religiosa/espiritual busca (ou deveria buscar): espalhar bons valores, respeito ao próximo, amor, paz, entendimento, caridade... Fantástico, não é?

Esta última "sorte de hoje" que mencionamos ("A melhor maneira de se encontrar é se perder em benefício de outros"), por exemplo, tem tudo a ver com o tema de um post recente nosso: Precisando de uma ajudinha?.

É de se louvar essa iniciativa do orkut, de não apenas salvar a "sorte de hoje" do limbo (de repetição e pouca criatividade) em que se encontrava, como também aproveitá-la para ajudar a envolver as pessoas em bons sentimentos, valores positivos, sem se filiar a qualquer credo (e, assim, evitando ofender qualquer sentimento das pessoas, permitindo atingir seus valores morais sem se deixar barrar pelos preconceitos que elas eventualmente tenham contra esta ou aquela crença/doutrina).

E isso é absolutamente divino, uma prática louvável do ponto de vista de todos aqueles que gostariam de ver uma humanidade mais repleta de amor e caridade, independente da bandeira religiosa ou doutrinária adotada. E o Espiritismo, justamente por não se pretender colocar como a única doutrina, a melhor ou a mais verdadeira, só tem a ver com bons olhos esse tipo de iniciativa!

Espalhar o amor e a caridade, sob qualquer aparência "formal" que seja, é um dos fins maiores (senão o fim maior mesmo) do Espiritismo, não é verdade? Consta do Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, por exemplo:

842 Todas as doutrinas têm a pretensão de ser a única expressão da verdade; como se pode reconhecer a que tem o direito de se posicionar assim?
– Será aquela que faz mais homens de bem e menos hipócritas, ou seja, pela prática da lei de amor e de caridade em sua maior pureza e sua aplicação mais abrangente. A esse sinal reconheceis que uma doutrina é boa, já que toda doutrina que semear a desunião e estabelecer uma demarcação entre os filhos de Deus só pode ser falsa e nociva.

Então, sejamos justos: o orkut pode ter uma série de falhas, pode servir (como toda ferramenta, aliás) para a prática de atos positivos ou nocivos, mas isso não diminui em nada o valor do belo trabalho que eles têm feito com as tais "sortes de hoje"!

E, claro, nem todas elas são inspiradas ou divertidas, mas, de modo geral, seu conteúdo é algo a ser louvado! Parabéns, orkut, e muito boa sorte na sua divulgação do Amor! :)

15 de set. de 2009

A Ciência de mãos dadas com o Espiritismo

Em nosso post anterior (Precisando de uma ajudinha?) mostramos uma reportagem que traz um estudo da Ciência tradicional que comprova um ensinamento espírita de longa data: ajudar seu próximo faz bem para você mesmo, e não só para aquele que você ajudou.

O mais curioso é que Allan Kardec mencionara essa aproximação de Ciência e Espiritismo já há muito! No Livro dos Espíritos, por exemplo:

Quando a crença espírita estiver bastante difundida, quando for aceita pelas massas, e, a se julgar pela rapidez com que se propaga, esse tempo não está longe, acontecerá com o Espiritismo o que ocorre com todas as idéias novas que encontraram oposição: os sábios irão se render à evidência. Chegarão a ela por si sós e pela força das coisas.
 
Poderíamos citar vários outros exemplos, mas, para se limitar a apenas um mais, veja esta mensagem do Espírito Lamennais, no Livro dos Médiuns, esclarecendo a respeito da natureza do perispírito (grifos nossos):

Agora, quanto à questão do ponto de vista científico, ou seja, à essência do perispírito, isso é um outro assunto. Procurai compreender por agora moralmente o porquê do seu existir e restará então discutir a natureza dos fluidos, o que é inexplicável para o momento; a ciência não conhece bastante, mas chegará lá se quiser caminhar com o Espiritismo. [...]

Daí se vê que a aproximação entre as duas Ciências era uma "previsão" (por assim dizer) dos próprios espíritos mesmo! E isto não é de se estranhar: ora, o Espiritismo é propriamente uma doutrina (e não uma crença), e se sujeita a todo momento ao crivo da lógica; não havendo dogmas, crenças inabaláveis, nem fé cega (como Kardec mesmo faz questão de ressaltar a todo o instante, na Codificação Espírita).

O Espiritismo é uma fé racional, uma doutrina verificável pela lógica antes de tudo, baseia-se em elementos fáticos: a existência dos espíritos e sua influência sobre o mundo material é um fato concreto, verificável por todos aqueles dotados de alguma mediunidade, e não uma crença intangível.

Aliás, é verifícável não só pelos médiuns, mas por todos aqueles que presenciam fenômenos espirituais. O próprio Espiritismo, tal como codificado por Kardec, tomou corpo inicialmente com o fenômeno das "mesas girantes"! Veja outro pequeno trecho do Livro dos Médiuns:

66 Para que uma manifestação seja inteligente, não é necessário que seja eloqüente, espirituosa ou sábia; basta que seja um ato livre e voluntário, que exprima uma intenção ou responda a um pensamento. Seguramente, quando se vê um cata-vento girando, é certo que obedece apenas a uma impulsão mecânica do vento, mas, caso se reconhecesse nos movimentos do cata-vento sinais intencionais, se girasse à direita ou à esquerda, rapidamente ou com lentidão, atendendo a um comando, seria forçoso admitir não que o cata-vento é inteligente, mas que obedece a uma inteligência. É o que aconteceu com a mesa.

67 Vimos a mesa se mover, levantar-se, dar pancadas sob a influência de um ou de vários médiuns. O primeiro efeito inteligente notado foi o de ver esses movimentos obedecer a um comando; assim, sem mudar de lugar, a mesa se levantava alternativamente sobre o pé designado; depois, ao cair, batia um número determinado de vezes, respondendo a uma questão. Outras vezes a mesa, sem o contato da pessoa, passeava sozinha pela sala, indo à direita ou à esquerda, para frente ou para trás, executando diversos movimentos, atendendo à ordem dos assistentes.

Nada mais natural então que, com o tempo, a Ciência fosse se despindo de seus preconceitos e começasse a estudar com sinceridade os fenômenos espirituais, seguindo toda a metodologia tradicional, de imparcialidade, verificabilidade, racionalidade, lógica, etc.

A revista SUPER interessante (sim, de novo ela, rs), por exemplo, vem trazendo cada vez mais reportagens (de capa!) que tratam de estudos científicos que vêm comprovando mais e mais fenômenos espíritas: na edição 252, de maio de 2008, vide a reportagem Médiuns: O que a ciência tem a dizer sobre a mediunidade?. (A reportagem ainda é um tanto cética, mas muito menos que esta outra, mais antiga, na edição 237, de março de 2007: Eles vêem espíritos.)

A tendência de aproximação das duas Ciências ainda é, talvez, muito mais lenta do que gostaríamos. Mas é fato: parece mesmo um movimento concreto, irreversível; e assim então apenas uma questão de tempo até que não se fale mais no Espiritsmo como mera doutrina, mas também como a Ciência que é.

Um sonho muito distante de virar realidade? Talvez nem tanto assim, quando se vê os avanços que a Física Quântica, em especial, tem conseguido, no campo da Ciência tradicional... Mas isso fica pra outro post! :)

13 de set. de 2009

Precisando de uma ajudinha?

Começamos a mensagem de hoje com uma singela porém poderosa frase que Chico Xavier adorava repetir, e já é quase um provérbio dos nossos tempos (ao menos entre os espíritas):

Ajuda o outro, e você vai estar se ajudando.

E com esses dizeres, Chico não parecia querer dizer que você deva esperar receber algo de volta pelo fato de ter doado, não, de modo algum. Não se deve fazer um gesto de caridade para receber qualquer coisa em troca, isso seria certamente uma "compra e venda" se fazendo passar por caridade.

A sincera e generosa doação é aquela em que se dá um pouco de si (ou do que se tem) em favor de outrem, e com a intenção tão-somente de fazer bem a essa outra pessoa que não você.

Outro sábio (e igualmente famoso) ensinamento de Chico traz essa idéia, como se vê nesse vídeo até:

Amar, sem esperar ser amado, e sem aguardar recompensa alguma. Amar sempre.

Ora, como conciliar as duas coisas? Como que você pode esperar ser ajudado quando ajuda os outros, mas não deve aguardar recompensas?

Apesar da aparente contradição, uma análise um pouquinho mais a fundo do sentido da primeira frase mostra que ela não quer dizer que ajudando os outros você vai receber ajuda de volta, da pessoa que você ajudou ou de outrem.

A frase não significa "ajude e você será ajudado [por alguém]", mas sim "ajude e você estará se ajudando"! Sim, ajudar o próximo, sem esperar (de verdade) nada em troca, nem um obrigado, faz um bem danado pra si mesmo! É extremamente gratificante, faz bem à alma, dá uma sensação de leveza, de dever cumprido, deixa a mente tranqüila... É mágico!

Bem, talvez nem apenas "mágico": segundo a SUPER interessante, foi comprovado por um estudo científico que o altruísmo aumenta significativamente os níveis de felicidade; ou seja, ajudar o próximo faz mesmo bem pra si próprio!

Veja só o que diz a reportagem A busca da felicidade, da SUPER (grifos nossos):

Mas a religião não é a única forma de dar significado à vida. Um truque eficaz para ficar mais feliz é fazer o bem para os outros – visitar um orfanato, ajudar uma criança a fazer a lição de casa, dar um presente útil. E isso não é conversa mole. Seligman mediu em laboratório os efeitos do altruísmo e percebeu que um único ato de bondade pode melhorar efetivamente os níveis de felicidade de uma pessoa por até dois meses. Cinco atos de bondade por semana turbinaram sensivelmente o astral dos cobaias – e, quando todos os cinco foram realizados num mesmo dia, o benefício foi ainda maior.

Gostou? Pois é... Aliás, essa história de a Ciência tradicional estar comprovando ensinamentos espíritas de looonga data ainda vai render um outro post, com certeza!

Mas, até lá, que fique a mensagem: você anda precisando de uma ajudinha, um empurrãozinho? Então, seja um pouquinho "egoísta" e... ajude o seu próximo! Vai fazer um bem danado pra você mesmo, por meses; além de espiritualmente atestado, agora é também cientificamente provado! :)

Quer começar já? Então veja o nosso post anterior, Como doar comida sem gastar um centavo!

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Fiquem todos com Deus, e tenham um domingo iluminado!

11 de set. de 2009

Como doar comida sem gastar um centavo

Parece incrível, surreal até, né? Difícil mesmo acreditar que isso exista (e funcione), mas, acredite: o The Hunger Site doa uma xícara de comida a cada vez que uma pessoa o visita e clica num singelo botão laranja (o botão diz Click here to give - IT'S FREE).

O mecanismo é simples: ao clicar no botão, o site redireciona o visitante a uma série de anúncios pagos, e o dinheiro (ou parte dele, veja abaixo) que eles recebem dos anunciantes é revertido diretamente em comida a quem precisa (atualmente, eles doam para a Feeding America e a Mercy Corps).

O The Hunger Site está no ar desde 1999, e, com a ajuda das pessoas, doa por volta de 200.000 (sim, duzentas mil!) xícaras de comida por dia. Nada mal, mas, para quem já está aí há bons 10 anos, poderia ser muito mais, não é verdade?

Os motivos que levam as pessoas a torcer o nariz para esse tipo de iniciativa são muitos. Um deles, talvez o mais importante, seja a desconfiança: como ter certeza de que o site é sério, e faz mesmo estas doações?

Bem, é difícil acreditar na hipótese de se tratar de um grande SCAM (enganação, abuso de confiança). Vejamos:
  1. Primeiro, o site está no ar fazendo isso há mais de 10 anos.
  2. Segundo, seus anunciantes (veja você mesmo, experimente clicar no botão uma vez, rs) são todos instituições de caridade sérias, de reputação inconteste. Não há nenhum anunciante "suspeito".
  3. Terceiro, há um looongo artigo na Wikipedia (em inglês) sobre este site, e em nenhum momento se questiona o fato de ele doar mesmo comida a quem precisa. Lá se discute apenas o percentual da verba publicitária que vai para a doação de alimentos, se 100% (como o site alega), ou um pouco menos (estima-se que o site doe, de fato, "apenas" 73%, usando o resto para cobrir seus custos).

Dada a natureza da Wikipedia (é aberta, qualquer um pode editá-la), é difícil imaginar que, se o The Hunger Site fosse um grande SCAM, isso não teria vindo à tona nos últimos 10 anos, rs. Mais, se o site doa 100%, ou "apenas" 73%, isso também não parece motivo o bastante para o descartar, para deixar de vê-lo como a bela ação de caridade que é.

Fato é que temos que tomar muito cuidado para não procurar pretextos para a nossa preguiça, rs, ou a "falta de tempo", nossa desculpa favorita para abandonar as tarefas "laboriosas": mas, convenhamos, quem é que não tem uns segundinhos por dia para doar? :)

Mas, fique tranqüilo, até para a nossa preguiça o site dá um jeitinho! rs... Você cadastra o seu e-mail clicando no botão Daily click reminder, e o The Hunger Site lhe envia um e-mailzinho por dia (e não mais que isso, você não vai receber SPAM), com um link para você entrar e clicar no botão laranja!

É rápido e indolor, vira um hábito de caridade diária que não custa, por dia, nada mais que dois cliques (um no link do e-mail, outro no botão laranja do site que vai abrir), ou 20 segundos (talvez menos ainda, se sua conexão for rápida)!

Quer coisa mais fantástica que isso, poder doar comida todo dia sem precisar sair do lugar ou colocar a mão no bolso? :)

Claro que isso não diminui a necessidade de ajudarmos materialmente quem precisa, de forma direta, na medida das nossas possibilidades, e ao longo de toda a nossa vida. Deus queira que ninguém use o The Hunger Site como pretexto para não fazer mais caridade alguma! Não, o objetivo do site não é esse, o de ser o seu único gesto de Amor, mas sim o de ser mais um deles, e simples, rápido, indolor, rs.

Que tal lhe dar uma chance?

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Nossa mensagem de hoje é de Espiritismo na prática: a caridade. A próxima mensagem, quem sabe, abordará o lado teórico, a Doutrina por trás deste gesto de Amor.

Agradecemos aos nossos novos leitores que vêm chegando! Fiquem à vontade para enviar comentários, críticas e sugestões, tudo isto é muito bem-vindo.

Que Deus ilumine, abençoe e conceda seu divino Amor a todos!

9 de set. de 2009

Nasce a gota espírita

Este blog não pretende ser mais que uma mera gota no oceano divino. Esta a inspiração para o nosso nome tão... peculiar! ;)

Temos a intenção de passar singelas (mas belas) mensagens, diariamente, com base na Doutrina Espírita. Focaremos inicialmente na Codificação de Allan Kardec (em especial na tríade Livro dos Espíritos, Livro dos Médiuns, Evangelho segundo o Espiritismo)... "Só" isso já deve dar gotas o suficiente para alguns anos de blog, não? rs rs

Nos consideramos uma mera gota, porque temos plena consciência de nossa insignificância ante a gigantesca criação divina! Há centenas, senão milhares de outros blogs para divulgar o Espiritismo, de fato, mas isso nos parece não um impedimento, mas sim um incentivo a começar mais um esforço de divulgação! Pretendemos ser uma mera gotinha da maré espírita, nada mais, e sim, estamos felizes com isso. :)

Há também inúmeras outras doutrinas e crenças que não o Espiritismo, e, desde que as mesmas propaguem o Amor, são todas igualmente divinas! A diversidade, a tolerância, as diversas formas de amar, tudo isso é divino. O que importa é espalhar o Amor, qualquer que seja sua forma ou aparência.

Logo, queremos ser apenas mais uma gota do oceano iluminado de Amor, e não a melhor gota, a mais bonita, fofinha, ou a única, nada disso; aliás, muuuito longe disso! Sabemos e gostamos do fato de que há muitas e muitas gotas nesse oceano maravilhoso, todas diferentes entre si, umas mais evoluídas, outras ainda não tão evoluídas assim, mas todas importantes, e todas divinas.

Por esses dois motivos -- porque sabemos que somos insignificantes, e porque não pretendemos deixar de ser mais que uma gota, em meio a tantas outras --, é que escolhemos este nome curioso (mas tem seu charme, vá? rs rs).

E, se Deus quiser, teremos algum êxito! E esse êxito, para nós, não precisa ser muito: ainda que uma alma apenas venha a ser realmente tocada pelas palavras espíritas, graças ao nosso humilde esforço de divulgação das mesmas, já terá valido a pena!

Paz, Luz, e Amor para todos... Que Deus nos ajude nessa jornada, e abençoe todos, leitores e não-leitores deste blog! :)