Hoje vamos retomar a bandeira do dever humano de proteger e respeitar todas as formas de vida, tanto as mais evoluídas, quanto as menos complexas, como ocorre no caso dos animais.
Mas temos que admitir que fazer isso não é lá muito fácil: como tratar com amor e respeito tudo o que tem vida, de bactérias a tubarões? Talvez até pareça ao leitor um tanto exagerado, equivocado, desnecessário... Mas será mesmo?
O Espiritismo diz que os animais estão aí, dentre outras coisas, para servir aos homens. São "inferiores" (dentro de uma escala de evolução e complexidade, como apontamos em nosso post anterior) e "submissos" ao homem, pois são os nossos "servidores inteligentes", sempre dispostos a nos ajudar.
Veja no Livro dos Espíritos, de Allan Kardec:
601 Os animais seguem uma lei progressiva, como os homens?
– Sim, por isso, nos mundos superiores, onde os homens são mais avançados, os animais também o são, tendo meios de comunicação mais desenvolvidos; mas são sempre inferiores e submissos ao homem, são para ele servidores inteligentes.
Mas até que ponto vai o nosso direito de nos servir dos animais? Nenhum direito é em si ilimitado; o exercício abusivo de qualquer direito é sempre condenável; e o mesmo vale para o direito de utilização dos animais em nosso favor. E isso consta também do Livro dos Espíritos:
734 Em seu estado atual, o homem tem direito ilimitado de destruição sobre os animais?
– Esse direito é regido pela necessidade de prover a sua alimentação e segurança. O abuso nunca foi um direito.
735 O que pensar da destruição que ultrapassa os limites das necessidades e da segurança? Da caça, por exemplo, quando tem por objetivo apenas o prazer de destruir sem utilidade?
– Predominância dos maus instintos sobre a natureza espiritual. Toda destruição que ultrapassa os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais destroem apenas de acordo com suas necessidades; mas o homem, que tem o livre-arbítrio, destrói sem necessidade; ele deverá prestar contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, porque cede aos maus instintos.
Pois é, podemos nos utilizar dos animais, para satisfazer as nossas necessidades. Mas será que é só isso? Os animais estariam aí com a única finalidade de nos serem úteis? Por lógica já se suspeita que não, e o mesmo nos confirma o Livro dos Espíritos:
593 Pode-se dizer que os animais agem apenas por instinto?
– Ainda assim é um sistema. É bem verdade que o instinto domina na maioria dos animais, mas não vedes que muitos agem com uma vontade determinada? É inteligência, porém limitada.
595 Os animais têm o livre-arbítrio de seus atos?
– Eles não são simples máquinas, como se pode supor; mas sua liberdade de ação é limitada às suas necessidades e não se pode comparar à do homem. Sendo muito inferiores ao homem, não têm os mesmos deveres. Sua liberdade é restrita aos atos da vida material.
597 Se os animais têm uma inteligência que lhes dá uma certa liberdade de ação, há neles um princípio independente da matéria?
– Sim, e que sobrevive ao corpo.
597 a Esse princípio é uma alma semelhante à do homem?
– É também uma alma, se quiserdes, depende do sentido que se dá a essa palavra; mas é inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem tanta distância quanto há entre a alma do homem e Deus.
Ou seja, os animais também têm alma sim (!!), e seguem a lei de evolução progressiva e contínua, de modo que, tal como nós, estão aí para viverem, se melhorarem e "crescerem" como espíritos! Claro que, numa grande escala da vida, eles estão muito aquém da nossa evolução e complexidade, mas ei, não vamos esquecer que há também seres muito mais evoluídos e complexos que nós humanos, não? :)
Essa a beleza da criação divina! Talvez tenhamos começado como animais também, em formas de vida muito, muito rudimentares, e fomos progredindo! Por que não? O Livro dos Espíritos mesmo trata dessa possibilidade, nas questões 606 a 610, quando fala da origem comum do princípio inteligente presente tanto em humanos quanto em animais.
Então, resumindo, podemos nos servir dos animais sim, e até tirar sua vida em alguns casos, como quando a nossa segurança o exigir, por exemplo, e não houver uma alternativa viável.
Agora, havendo uma alternativa, ela será sempre preferível: sair matando todas as ameaças que apareciam era com certeza a única opção na época em que vivíamos em cavernas, mas hoje em dia podemos, dentre outras coisas, usar dardos tranqüilizantes em feras, passar repelentes contra insetos, colocar grades, cercas, isolar ameaças...
Claro, nem sempre há uma alternativa disponível, mas, havendo, parece ser ela a melhor opção. Isso seria, acreditamos, tratar com amor os animais, e de uma forma bastante realista: dependemos deles com certeza, precisamos nos utilizar destes nossos "servidores inteligentes", mas dentro dos limites do estritamente necessário, e com o menor prejuízo possível para eles; sempre de acordo com nossas possibilidades em cada época, local, desenvolvimento tecnológico, recursos, etc.
E a alimentação? Ser vegetariano é uma exigência de tratar com amor os animais? O que o Espiritismo nos fala a respeito? Sendo um tema bastante controverso, uma reflexão mais a fundo fica para o nosso próximo post! Fiquem todos com Deus, e até lá!
6 comentários:
Oi pessoal! Boa Tarde!
Muito bem argumentado, porém, não concordo que o ser humano esteja acima dos outros animais. A própria natureza nos trata como animal, não é? Nossa concepção acontece igualmente, por exemplo, entre milhares de espermatozóides apenas um encontra o caminho para a vida. Isso é igual com outros mamíferos.
A única diferença que vejo é óbvia, cada animal com suas habilidades.
O ser humano possui o dom de falar, escrever e achar que pode explorar os outros. Não sei aonde está a nossa necessidade de matar outros animais porque temos tanta técnologia tanto agrônoma, têxtil e muitas outras que é desnecessário precisarmos do corpo deles para satisfazer alguma necessidade. Há tbm a comparação de vírus e bactérias com animais, veja bem, eles não são animais. Também, se o ser humano fosse divino, não nasceria sem cérebro. Desculpe só o meu ponto de vista lógico, às vezes agressivo, mas é a linha que sigo.
Mas de qualquer forma, é um artigo muito importante. Perceberam como o mundo está questionando a nossa relação com as outras espécies, e é um tema contemporâneo e muito importante para reconstruir os valores para a próxima era.
Olá, Stela! Obrigado pelos comentários, muito bem-vindos! As críticas nos ajudam a identificar nossas eventuais falhas, e trabalhar para corrigi-las!
Você tem toda a razão em apontar nossa confusão quanto aos vírus e bactérias, já corrigimos esta parte do post. Caso você veja alguma outra falha conceitual, por favor, não hesite em apontá-la!
No mais, respeitamos seu posicionamento diverso do nosso na questão evolutiva; porém, no fundo, concordamos quanto ao essencial: os animais merecem ser tratados com todo o respeito, e, havendo alternativas ao uso dos mesmos, como de fato há em muitos casos, essas alternativas são preferíveis.
No caso têxtil, que você muito bem apontou, temos um exemplo perfeito: hoje em dia não tem o menor cabimento matar animais para se vestir; as alternativas sintéticas ou vegetais são preferíveis em todos os casos, do ponto de vista ético/moral.
No caso da alimentação, há de fato uma série de alternativas exclusivamente vegetais/agrônomas, mas esta já é uma questão mais complexa, e então vamos tratar disto mais a fundo só no próximo post!
Mais uma vez, obrigado pelos seus comentários, fique com Deus, que Ele te abençoe e ilumine sempre! E não deixe de nos visitar (e deixar seus comentários!) mais vezes! :)
Este artigo está muito bem escrito, como já havia dito. Estou acompanhando porque a sua articulação é excelente, além de possuir um ponto de vista afiado, porque sabe trazer os temas mais polêmicos e difíceis de serem discutidos.
Parabéns! Muita Luz!
Eu sempre tinha esse conhecimento, mesmo não tendo experiência no assunto de que os animais tem alma , tanto eh que eles não estão na terra atoa e possuem sentimento uns pelos outros,eles são bem melhores do que alguns humanos por ae, desculpe mais eh fato.Eu só não acho justo falarem q animal eh irracional, na minha opinião acho um absurdo comparar um ser humano que fez algo grave com um animal, animais são seres que nem os humanos, possuem alma e sentimentos.Agora a respeito de seres de outro mundo eu tbm acredito nisso, pois existem vários planetas e galáxias por ae e não estamos sozinho no mundo,acredito que seres de outro planeta bem mais evoluídos q nos ,vem ao nosso planeta , pesquisam e pegam algo de nos para complementar seu planeta.Isso eh o q eu penso ..
no 05-07-2012 perdi o meu menino Pantufa companheiro de 16 anos ,a dor que sinto e enorme tento me compensar olhando para os objetos dele o cheiro mas nao chega ,sera que ele me espera no sitio onde esta? sera que ele ta bem ? a dor é enorme o vazio que sinto dentro de mim é terrivel .na hora em k enterrei o meu menino recebi uma chamada para ajudar um amiguinho de 4 patas porque a dona agora nao tem tempo para ele e esta a pensar em abatelo ,nao sei o que fazer tou perdida porque ando em busca do meu Pantufa .Adoro-te tuzinho por toda a minha vida ou o resto dela.
Gostei mto do artigo, pois realmente na época em q Kardec escreveu o Livro dos Espíritos, não se dispunha de cultivos fáceis, principalmente no outono e inverno. Hoje, temos como importar, plantar até em aptos. Hoje temos como aquecer e refrigerar, o q não existia na época. O artigo pode ajudar aqueles q se acomodam na alimentação de cadáveres de animais a refletir sobre seus atos. Destaco, ainda, a violência. Queremos tanto combatê-la e no entanto aumenta a violência em relação aos animais...e se reverbera pelo planeta.
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