Mas é natural que se estranhe ou ache engraçado o presente título: o assunto "aliens" ainda está essencialmente relegado ao campo da ficção científica, sendo explorado quase que exclusivamente em quadrinhos, filmes, jogos...
E, na maioria dessas obras artísticas, o mote é quase sempre o mesmo: extraterrestres malignos resolvem invadir a Terra, com naves super avançadas, para exterminar ou escravizar a humanidade, que então se defende como pode, reagindo com a máxima violência, por meio de batalhas e mais batalhas terrestres e siderais, por fim vencendo a guerra, ou então sucumbindo à "ameaça" alienígena.
A vida fora da Terra, defendida pelo Espiritismo desde 1857, hoje até vem sendo estudada cientificamente (de novo, vide nosso post anterior), porém a cultura geral ainda é de medo (e violência) ante os grandes desconhecidos que são nossos irmãos de outros planetas.
Tal medo não é de todo injustificável: veja, por exemplo, a Operação Prato, do final dos anos 1970, amplamente documentada pelas nossas Forças Armadas -- documentos, aliás, já obtidos diretamente das autoridades brasileiras, pela louvável campanha UFOs: Liberdade de Informação Já. Sondas oriundas de naves espaciais teriam perseguido, aterrorizado e até causado queimaduras em algumas dezenas de pessoas em Colares - PA, por meio de luzes emitidas em sua direção (quem sabe por alguma espécie de scanner mal concebido, pois evidentemente lesivo).
Talvez os alienígenas não sejam todos bons e moralmente mais evoluídos que os humanos... E isso não deve causar muita surpresa, afinal não é muito diferente do que ocorre atualmente entre nós mesmos, uma massa disforme de mais de 6 bilhões de pessoas, em variadíssimos graus de evolução moral: há humanos de todos os "tipos", por assim dizer; e o mesmo supõe-se (por lógica) ser aplicável aos nossos irmãos de outras moradas.
Nosso medo ante o desconhecido, o novo, entretanto, é um mal a ser combatido, pois costuma levar a respostas irracionais e atos de violência inomináveis. É um mal que acompanha a humanidade desde sempre: até pouco tempo atrás, jogávamos na fogueira, ou simplesmente guilhotinávamos quem pensava diferente; um pouco depois, criamos o genocídio, a industrialização do extermínio dos diferentes, nos campos de concentração; e mesmo hoje, os crimes de ódio estão em todo lugar...
Pensava que isso só acontecia com humanos, no entanto? Pense de novo... Veja, por exemplo, qual foi a primeira reação de um grupo de jovens panamenhos entre 14 e 16 anos, recentemente, ao se depararem com um animal desconhecido, que eles pensaram ser um alienígena: apedrejaram-no até a morte. (aparentemente, não passa de um bicho-preguiça, segundo G1 e UFO)
No Caso Varginha mesmo, supondo-se verdadeiros os relatos (de pessoas sérias, ressalte-se) de que ao menos uma nave espacial teria caído por lá, e quatro ou mais tripulantes teriam sido perseguidos, capturados, mortos, dissecados e estudados em laboratório por nossos militares... Poxa, será esse o tipo de reação que gostaríamos para nós mesmos quando, daqui a algumas décadas quem sabe, estivermos a visitar outros planetas, outras civilizações?
E, por outro lado: será que não acabaremos fazendo igual aos alienígenas relatados na Operação Prato, passando por cima da ética e do bem-estar alheio, aterrorizando e lesionando seres dos planetas que visitarmos, em nome do progresso científico?
É só ver o que já fazemos hoje com os animais do nosso planeta mesmo, submetidos a toda sorte de horrores em laboratórios, em prol dos avanços (a qualquer custo) da Ciência, que talvez pudessem ser obtidos por outros meios, ou com menos sofrimentos para as cobaias...
Ninguém precisa ser espírita ou cristão para entender este que é hoje um dos ensinamentos morais mais primordiais de qualquer doutrina, religião ou crença minimamente séria: não fazer aos outros aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco. Consta do Livro dos Espíritos de Allan Kardec, por exemplo:
876 Fora do direito consagrado pela lei humana, qual é a base da justiça fundada sobre a lei natural?
– O Cristo disse: “Não façais aos outros o que não quereis que vos façam”. Deus colocou no coração do homem a regra de toda a verdadeira justiça pelo desejo que cada um tem de ver respeitados os seus direitos. Na incerteza do que fazer em relação ao semelhante numa determinada circunstância, o homem deve perguntar-se como desejaria que se fizesse com ele na mesma circunstância: Deus não poderia lhe dar um guia mais seguro do que a própria consciência.
Comentário de Kardec: O critério da verdadeira justiça é, de fato, desejar aos outros o que se deseja para si mesmo, e não desejar para si o que se desejaria para os outros, o que não é a mesma coisa. Como não é natural desejar o mal para si, se tomarmos o desejo pessoal como norma e ponto de partida, estaremos sempre certos de apenas desejar o bem para o próximo. Em todos os tempos e todas as crenças, o homem tem sempre procurado fazer prevalecer seu direito pessoal. A sublimidade da religião cristã foi tomar o direito pessoal por base do direito do próximo.
Como se vê, já passou (e muito) da hora de desenvolvermos uma ética e uma noção de dignidade não apenas para os humanos, mas para toda forma de vida. A questão dos animais fica para outro post, pois é um tema talvez até mais controverso.
Mas que dizer de "humanóides" ao menos, nossos irmãos de outros planetas em nível de evolução no mínimo semelhante ao nosso? Podemos simplesmente persegui-los, matá-los, dissecá-los em laboratório? Como não gostaríamos muito de sermos assim tratados por eles, por lógica se conclui que não; e o mesmo nos ensina o Espiritismo, a moral cristã, e talvez mesmo quase toda doutrina ou religião séria.
Já não teria, então, chegado a hora de pararmos de retratar aliens como os grandes invasores, com os quais estaríamos predestinados a ter guerras espaciais infindáveis? Ok, Star Wars é mesmo muito divertido, talvez uma das séries mais adoradas do mundo todo; mas que tal começarmos a deixar o "Wars" só para a ficção mesmo, arranjando, para a realidade, algo algo muito mais respeitoso, amoroso... Quem sabe Star Friends? Pense nisso! ;)
2 comentários:
Bom, nós dissecamos aliens que se acidentam por aqui, e eles, conforme muitos relatos, nos abduzem, examinando-nos e implantando chips em nós...
Lendo o texto, fui remetido a minhas aventuras em "Spore": no estágio máximo de evolução, adorava visitar planetas povoados por aliens menos evoluídos e aniquilá-los. XP
Ok. Isso NÃO se coaduna com este site. Leitores, não sigam meu exemplo!
Tive o primeiro contato com o Blog hoje e gostei bastante.
Matar, ou tirar a vida de qualquer coisa exige reflexão. Não cabe a nenhum de nós fazer isso. As vezes, principalmente no caso existe uma "atenuação" que pode ser entendida como "necessária a nossa forma primitiva de vida" ou seja lá que nome possamos dar nosso estágio de desenvolvimento.
Agora é importante frisar que conhecimento técnico não significa grandeza moral (vide os exilados de Capela).
Devemos estar prontos para tudo com plena consciência de nosso papel e na grandeza do Universo, com todas suas leis imutáveis de ação e reação.
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